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Líder da repressão do regime de Bahrain se reuniu com comando do FBI e da CIA em Washington

gustavochacra

24 de julho de 2012 | 12h53

A administração de Barack Obama corretamente condena a repressão de Bashar al Assad contra os opositores. Apesar do silêncio do presidente, membros do Departamento de Estado tampouco escondem o temor com o radicalismo sunita de facções armadas da oposição.

Mas se na Síria o comportamento americano pode ser aceitável, assim como foi no Egito, na Tunísia e no Iêmen, embora um pouco mais polêmico na Líbia, em Bahrain o envolvimento do governo Obama é deprimente se levarmos em conta questões de direitos humanos e não de interesses geoestratégicos.

Afinal, o regime de Manama, e assim deve ser classificada a monarquia ditatorial com requintes de apartheid da família Al Khalifa, na qual uma minoria sunita trata a maioria xiita como cidadãos de segunda classe, segue torturando e matando opositores pró-democracia.

Pior, os EUA não apenas ficam calados, como também recebem o ministro do Interior desta ditadura em meio a repressão em Washington. Rashid bin Abdullah Al-Khalifa esteve neste fim de semana na capital americana, onde se reuniu com os diretores da CIA e do FBI, membros do alto escalão do Departamento de Estado, deputados e senadores, incluindo John McCain, do Partido Republicano. Neste ano, o governo Obama vendeu bilhões em armamentos para o regime bairenita.

Tudo bem um presidente ter interesses realistas na sua política externa, como Richard Nixon. Seria natural querer proteger a Quinta Frota americana, baseada naquele país onde a ditadura local tem sido uma boa aliada em questões econômicas e políticas.

O problema é quando governantes, como Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, se dizem defensores dos direitos humanos. Eles não são. Se fossem, não teriam medo de condenar a repressão de Bahrain. Os dois são hipócritas. Se fosse George W. Bush, haveria protestos ao redor do mundo. Mas como é Obama, tudo bem…

 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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