As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Líderes cristãos ainda duelam no Líbano

gustavochacra

23 de setembro de 2008 | 13h30

O Líbano é proporcionalmente o país que mais possui cristãos no Oriente Médio (em número total, o Egito está em primeiro). Em uma população de cerca de 4 milhões de habitantes, estima-se que a população cristã esteja entre 25% e 40%. Não se faz censo no país há mais de meio século. Justamente para manter dados antigos, quando os cristãos maronitas eram o maior grupo do país. Mesmo assim, eu acho que o número deve realmente estar mais próximo dos 40%. Também tem que se levar em conta que maior parte da diáspora libanesa é cristã.

Porém, ao contrário do que acontece com sunitas e xiitas, os cristãos estão extremamente divididos. E isso vem desde a guerra civil, com inúmeros episódios de facções cristãs se enfrentando. Destes líderes cristãos, um que ficou célebre é Samir Gaegea (lê-se Jaja). Na época, ainda jovem, ele esteve envolvido em uma série de incidentes nos quais figuras cristãs importantes foram mortas.

Após a guerra civil, em 1990, Gaegea continuou no Líbano e manteve uma forte postura anti-Síria. Isso, em um momento em que o regime de Hafez al Assad dava as cartas no país. Tentaram oferecer postos no ministério, mas Gaegea rejeitou. Também não quis ir para o exílio, como o seu rival político e, na época, também anti-Síria, Michel Aoun, que foi para Paris. Em conseqüência, ficou 11 anos na prisão, até ser solto durante a Revolução dos Cedros. De todos os líderes da guerra civil, sejam eles cristãos ou muçulmanos, o único que cumpriu pena foi Gaegea.

No domingo, em discurso para seus seguidores, todos cristãos, ele pediu desculpas pelos excessos de seu partido-milícia Forças Libanesas (cujo símbolo é um cedro) durante a guerra civil.

“Eu peço desculpas por todos os erros que cometemos quando levamos adiante nossos deveres nacionais durante a guerra civil”, disse. Mas prosseguiu, tocando na questão da desunião cristã. “Eu sei que vocês todos querem ver a união e a reconciliação dos cristãos”, mas disse que não dá para haver esta aliança quando alguns cristãos apóiam o Hezbollah, em ataque direto a Michel Aoun, que é aliado político do grupo xiita.

Aoun respondeu afirmando que Gaegea deveria pedir desculpas para as famílias Franjieh, Chamoun (ambas cristãs) e Karami (sunita) por suas ações na guerra civil. No final dos anos 80, em um dos momentos mais sangrentos da guerra civil, forças leais a Aoun e Gaegea se enfrentaram no que ficou conhecida como a “guerra cristã”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.