As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Segundo Clinton, a Jordânia sempre concorda com Israel; e a cueca do Yeltsin

gustavochacra

18 de outubro de 2009 | 16h24

Inicialmente, havia colocado neste post o episódio de Boris Yeltsin, bêbado, andando de cueca nas ruas de Washington, relatada por Bill Clinton ao jornalista Taylor Branch, autor do livro “The Clinton Tapes”. Mas achei melhor comentar outra passagem, quando o ex-presidente fala da Jordânia.

Segundo Clinton, a Jordânia parecia concordar em tudo com Israel. Nas negociações de Camp David, defendia que os israelenses, e não os palestinos, controlassem o vale do Rio Jordão. E sempre foi assim com os jordanianos, tirando 1967, mas incluindo 1948. Ben Gurion e o rei Abdullah (não o marido da Rania, claro) tinham acordos secretos na Guerra de 1948. Verdade, os dois lados travaram batalhas. Mas muitas das ações eram coordenadas, conforme já demonstrou em seus artigos o historiador israelense Avi Shlaim e também Eugene Rogan.

A Legião Árabe, como era conhecido o Exército da Jordânia, era treinada pelos ingleses, que ainda exerciam enorme influência sobres a monarquia Hashemita. Certamente, não planejavam eliminar os judeus. Pelo contrário, o objetivo da Jordânia era ocupar a Síria, afinal os Hashemitas sempre sonharam em ter seu trono em Damasco. Os sírios sabiam disso e se posicionaram na fronteira com a Jordânia, não com Israel. Os libaneses eram – e são – um Exército de Brancaleone. O Egito tinha divisões internas, com generais tentando demover o rei da ideia de entrar na guerra. Esta era a grande aliança árabe, “o Golias”, que Israel diz ter derrotado.

Mas, voltando aos jordanianos, eles tampouco permitiram que os palestinos criassem o seu Estado até 1967. Apesar de concederem cidadania, diferentemente do Líbano, que trata os palestinos como cidadãos de segunda classe, a Jordânia cometeu o massacre conhecido como Setembro Negro. A monarquia também não era boazinha com Israel, afinal impedia os judeus de rezarem no muro das Lamentações – a proibição era da Jordânia, não dos palestinos.

Nos anos 1990, a Jordânia assinou o acordo de paz com Israel. Já há algum tempo, trata bem a sua população palestina. É o lugar do Oriente Médio onde os palestinos mais prosperaram financeiramente, compondo a elite local, conforme relatei aqui em reportagem de abril.

Antes que me esqueça, Clinton ficava chocado com o desconhecimento que o líder egípcio, Hosni Mubarak, tinha de judeus, muçulmanos (oficialmente, sua religião, mas ele é abertamente secular) e do conflito entre israelenses e palestinos.

E republico aqui o trecho da cueca do Yeltsin e do Brasil no livro sobre o Clinton.

“Apenas a sorte impediu um escândalo durante visita de Yeltsin. Clinton recebeu a informação que seus agentes de segurança encontraram Yeltsin sozinho na Avenida Pennsylvania (uma das mais importantes da capital americana), bêbado, de cueca, gritando para conseguir um táxi. Os agentes secretos tentaram contê-lo, mas foram insultados. Ele não queria voltar para Blair House (onde estava instalado). Queria comer uma pizza. Perguntei como terminou a confusão. “Ele conseguiu a pizza”, disse-se o presidente”, relata Branch.

O Brasil não tinha tanta importância na época. Fernando Henrique não é citado e o nome país aparece apenas em duas páginas. Em uma delas, Clinton critica o Brasil por não preservar as suas florestas.

obs. Reportagem completa sobre o livro do Clinto que escrevi e foi publicada na edição impressa do Estadão de hoje pode ser lida aqui

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.