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Como a luta entre rebeldes fortalece Assad

gustavochacra

08 de janeiro de 2014 | 12h59

Os principais combates da Guerra da Síria se dão atualmente entre os rebeldes, e não dos rebeldes contra Bashar al Assad. Esta mudança deve ajudar ainda mais no fortalecimento do líder sírio, que busca consolidar seu domínio nas áreas sob o seu controle, deixando de lado as regiões nas mãos dos rebeldes.

Depois de um avanço do ISIS (ou ISIL) como é conhecido o grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ou Levante) nas últimas semanas, houve um contra-ataque importante de outros grupos rebeldes, também extremistas islâmicos. Um deles, a Frente Nusrah, é afiliada à Al Qaeda, embora inimiga do ISIS. Outro, o Fronte Islâmico, não possui ligação com a rede terrorista, por não ter agenda anti-Ocidente, mas realiza ações similares, incluindo terrorismo. Existem, além destes, outras facções, mas as mais moderadas e laicas são irrelevantes nestes momento do conflito.

O fortalecimento do Fronte Islâmico e de outros grupos radicais islâmicos sem ligação à Al Qaeda se devem a dois motivos. Primeiro, o patrocínio da Arábia Saudita. A monarquia em Riad está abertamente apoiando militarmente estas organizações. Em segundo lugar, devido à enorme quantidade de estrangeiros do ISIS, incluindo muitos guerrilheiros não-árabes do Paquistão e Tchetchênia. Isso eleva a insatisfação da população civil síria nas áreas controladas pelos rebeldes. Mas o ISIS está longe de ser derrotado, apesar de perder uma de suas bases na parte de Aleppo nas mãos dos rebeldes.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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