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Maceió é mais violenta do que Cabul, capital do Afeganistão

gustavochacra

31 de julho de 2013 | 17h21

As pessoas precisam entender que, em uma guerra civil, a guerra não se reflete em matança a todos os momentos em todos os lugares. No Afeganistão, morreram 1.300 civis no conflito nos primeiros seis meses deste ano. O número é bem inferior ao total de homicídios no Brasil. Ainda assim, no imaginário de muita gente, Cabul é um açougue de gente. Não é.

Mas não sou especialista em Afeganistão, deixando relatos deste país para a minha amiga Adriana Carranca, que conhece bem Cabul. Falarei de Beirute e de Damasco, que conheço bem. Comecemos pela capital libanesa. Foram 15 anos de guerra civil, de 1975 a 90,  invasão israelenses, invasão síria, marines americanos, dezenas de milhares de mortos. Ainda assim, os libaneses frequentavam a faculdade, viajavam ao exterior, se casavam, jantavam fora, faziam piadas, assistiam novelas, ganhavam dinheiro e gostavam de ir ao cinema.

Chegamos agora à Síria. Vi comentários criticando que Bashar al Assad não mostra a Guerra Civil da Síria nas suas fotos no Instagram. É óbvio que não mostra. Nenhum líder político do mundo faz anti-propaganda. O que você esperaria do líder de um regime como o sírio?

De qualquer forma, Assad exibe também fotos da Síria que refletem em parte a situação no país. A guerra não ocorre o tempo todo em todos os lugares, como escrevi acima. Hoje, em bairros de Homs, há batalhas. Mas Damasco está tranquila, sem combates nos bairros centrais, embora haja bombardeios em subúrbios mais afastados.Na costa mediterrânea, pelos relatos que acompanho, o verão anda a toda, ainda mais com a chegada de pessoas de outras partes do país em busca da segurança e da estabilidade de Tartus.

Dá para viajar de Beirute a Damasco de carro sem correr o menor risco na estrada – ninguém morreu e sequer houve um ataque nesta rodovia em dois anos e meio de guerra. Agora, claro, não vá para Homs ou Aleppo neste momento.

Portanto, lembrem-se, as guerras não ocorrem o tempo todo em todos os lugares. É como a criminalidade no Brasil. Infelizmente, as pessoas se adaptam. E acabam não percebendo que Maceió é mais perigosa do que Cabul.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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