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Maior decepção da Primavera Árabe foi o Brasil, diz Human Rights Watch

gustavochacra

23 de janeiro de 2012 | 11h11

no twitter @gugachacra

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O Brasil foi acusado pelo Human Rights Watch (HRW) de se posicionar ao lado dos autocratas e não da população de países como a Síria durante a Primavera Árabe. Para a organização, o governo brasileiro deveria rever as suas posições para a região, sempre defendendo os direitos humanos, em vez de se guiar por versões “ultrapassadas de soberania nacional”.

“A resposta mais decepcionante à Primavera Árabe proveio de alguns governoddemocráticos do hemisfério sul, como o Brasil, a Índia e a África do Sul. Pareciam ser guiados não pelas aspirações do povo árabe, mas mais por seu compromisso com visões ultrapassadas da soberania nacional, mesmo quando isso resulta na blindagem de regimes repressivos da necessidade urgente de pressão internacional”, afirma texto de do diretor-executivo do HRW, Kenneth Roth, publicado ontem no Cairo.

Segundo a entidade, “apesar de terem desenvolvido governos responsáveis ​e um Estado de Direito, estas democracias do Sul apenas mostraram interesse esporádico em ajudar o povo do mundo árabe que lutava para conseguir o mesmo que eles já conquistaram. Com mais frequência, eles apontaram para o potencial uso indevido dos direitos humanos temendo uma pressã que poderia servir como uma ferramenta de dominação do Norte—para justificar o não uso de sua própria influência sobre os graves infratores dos direitos humanos”.

O HRW lamentou principalmente a decisão brasileira de não apoiar uma resolução condenando o regime de Bashar Assad no Conselho de Segurança da ONU. Segundo as Nações Unidas, mais de 5 mil pessoas foram mortas pela repressão do governo e o cenário se aproxima ao de uma guerra civil, com a oposição também se armando.

Em vez de ajudar o povo sírio, “o Brasil, a Índia e a África do Sul se recusaram a apoiar a ação do Conselho de Segurança, mesmo quando o governo Assad matava milhares de manifestantes. Apenas na menos forte Assembléia Geral da ONU foi que o Brasil apoiou uma resolução crítica sobre a Síria, enquanto que a Índia e a África do Sul se abstiveram”.

Na verdade, o Brasil, assim como uma outra série de países, argumenta que o teor do texto da resolução em outubro ignorava as ações das milícias armadas da oposição. Os massacres cometidos pelo regime de Assad desde o início foi condenados pelo Itamaraty e falo isso por ter realizado a maior parte das reportagens sobre o assunto, tendo entrevistado uma série de diplomatas ao longo dos últimos meses, ter acompanhado as reuniões da ONU e viajado para a Síria.

Mais importante, havia e há ainda uma enorme insatisfação no Conselho de Segurança com a forma como a resolução 1973, estabelecendo uma zona de exclusão aérea na Líbia, foi usada pela OTAN para bombardear o país e derrubar um regime.

Por último, o Brasil com razão pode ser criticado pela questão síria. Mas o mesmo parâmetro deveria ser aplicado aos EUA por ter impedido qualquer forma de resolução condenando os massacres da Arábia Saudita e da monarquia Al Khalifa nos levantes pró-democracia em Bahrain.

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abs

Guga

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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