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Mais crianças serão mortas, homens capados e mulheres estupradas na Síria

gustavochacra

28 Maio 2012 | 09h33

no twitter @gugachacra

Hoje participo mais uma vez do Programa Globo News Em Pauta, às 20h, para falar de Oriente Médio e Nova York

Três dos meus últimos artigos sobre a Síria diziam que, resumindo, com Assad ou sem Assad, não haverá paz. Na Globo News, deixei claro que o cenário iria se deteriorar. Portanto o massacre deste fim de semana não é surpresa para ninguém que saiba o nome de mais de um sírio além de Bashar.

Não tem jeito. Ainda estamos distantes do fundo do poço. A violência sequer começou em Damasco. Vai piorar e bastante. Este foi apenas mais um massacre de uma guerra civil na qual alguns homens capam seus inimigos, estupram mulheres e matam crianças, além de desrespeitar símbolos religiosos mutuamente. Nos dois lados, que fique claro, apesar de a escala das ações do regime mais homicida do Oriente Médio ser bem superior, se equiparando às de Saddam Hussein nos anos 1990.

No New York Times de ontem, falavam como se fosse novidade da proposta de resolução “iemenita” para o conflito, conforme eu já havia afirmado em janeiro. Ótimo, conseguiram remover o Abdullah Saleh do poder em Sanaa. Mas resolveu o que? A Al Qaeda na Península Arábica cometeu um mega atentado matando mais pessoas do que em Houla; os houthis voltaram a se fortalecer no norte; os separatistas do sul lutam pela independência; e as forças do antigo regime ainda estão em confronto contra as do atual.

Todos os planos de paz para a Síria nos próximos tempos fracassarão sucessivamente, incluindo um futuro que pedirá a saída de Assad. Ele pode até deixar o poder, ser alvo de golpe ou morrer em atentado (bem possível), mas esta será apenas mais uma etapa da guerra civil sem data para terminar.