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Manual blogueiro para entender os grupos rebeldes da Síria

gustavochacra

12 de dezembro de 2013 | 13h09

PROBLEMAS TÉCNICOS NOS COMENTÁRIOS. VOU VERIFICAR O QUE OCORREU. PEÇO DESCULPAS

Hoje existem duas guerras civis na Síria. A primeira entre o regime sírio, com a ajuda do Irã, Iraque e Hezbollah, contra os rebeldes da oposição. Esta vem sendo vencida pelas forças sírias, embora ainda estejam longe de voltar a controlar todo o país. A segunda é um conflito entre as diferentes facções rebeldes, especialmente no norte do território sírio.

Grande parte das mortes ocorridas nos últimos meses foi resultado de combates entre os opositores. Não dá para saber se representam a maioria, mas certamente um percentual enorme. Por este motivo, não dá para falar em genocídio na Síria porque o regime de Assad não matou 125 mil pessoas. Este é o total estimado de vítimas (pode ser mais ou menos), incluindo muitos soldados e civis simpatizantes de Assad, de membros da oposição e civis mortos pelo regime e, para completar, de lutas entre os próprios rebeldes.

Existem centenas de facções opositoras armadas na Síria. Mas, para facilitar o entendimento, devemos dividir em quatro grupos. 1) o dos moderados; 2) dos radicais islâmicos ligados à Al Qaeda; 3) dos radicais islâmicos sem ligação com a Al Qaeda; 4) dos curdos

1) O primeiro grupo seria o do Exército Livre da Síria. Esta facção, que na verdade é uma colcha de retalhos de milícias supostamente mais moderadas e menos religiosas, vem se enfraquecendo progressivamente ao longo de 2013. Ontem viu sua situação se deteriorar ainda mais com a suspensão da ajuda militar não-letal de EUA e Reino Unidos após verem suas armas e equipamentos em uma de suas principais bases serem roubadas pelo Fronte Islâmico

2) O segundo grupo rebelde, das fações ligadas à Al Qaeda, tem como principais organizações a Frente Nusrah e o ISIS (Exército Islâmico do Iraque e da Síria). Os EUA considera ambas terroristas e, embora aliadas da Al Qaeda, são inimigas entre si. Até o momento, foram as que mais obtiveram sucesso na luta contra as forças de Assad

3) O terceiro grupo é formado por ultra conservadores islâmicos, mas independentes da Al Qaeda. Eles não possuem uma agenda contra o Ocidente. A mais conhecida facção é o Fronte Islâmico, apoiada por algumas figuras da monarquia saudita. Por enquanto, não está na lista de terroristas dos EUA, embora pratique terrorismo na Síria. Nos últimos dias, atacou os rebeldes do Exército Livre da Síria, que são supostamente aliados dos EUA.

4) O quarto grupo é dos curdos. Estes não estão interessados em derrubar Assad. Querem apenas administrar as áreas de maioria curda. O líder sírio praticamente concedeu autonomia a eles, que também combatem outros rebeldes.

Diante deste cenário, a oposição síria está cada vez mais radical, com um perfil próximo do Taleban. Nos EUA e em países europeus, muitos já começam a defender que Assad é o menor dos males. Antes um líder autocrata secular defensor de minorias religiosas, embora sanguinário, do que um regime totalitário ultra religioso, aliado da Al Qaeda, nos moldes do Taleban e também sanguinário.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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