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“Más de lo mismo no Oriente Médio”

gustavochacra

12 de agosto de 2009 | 10h28

Rafsanjani está com medo?
A linha dura parece ter vencido mesmo no Irã, com o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani ameaçando se calar no seu sermão desta sexta-feira, quando seria a sua vez no rodízio. Não que ele seja uma figura respeitável, já que seu nome está envolvido em uma série de escândalos de corrupção e seu governo também foi marcado pelo conservadorismo. Mas a sua ausência pode indicar um temor de bater de frente com o aiatolá Ali Khamanei e com o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Violência aumenta, mas Iraque caminha para o esquecimento

O Iraque passa a lembrar o Líbano depois da saída dos marines americanos e do recuo dos israelenses para o sul em meados dos anos 1980. A violência volta com tudo, com mais de cem mortos em poucos dias, mas as atenções já foram para longe de Bagdá. Conforme escreveu Thomas Friedman no leu livro From Beirut to Jerusalem, os libaneses, sempre metidos e egocêntricos, não conseguiam entender como, com a guerra em andamento, as notícias do país eram colocadas em pequenas notas, bem distantes da primeira página. Basicamente, porque os americanos foram embora e, com eles, os jornalistas.

A política do Poderoso Chefão de volta ao Líbano
Falando em Líbano, o líder druso Walid Jumblat abandonou a coalizão governista 14 de Março. Uma perda grave e uma indicação de que o cenário mudou para Saad Hariri e seus aliados ditos pró-EUA. Perdeu o seu principal articulador político. Pior, Jumblat é uma espécie de termômetro do Oriente Médio. Em geral, está sempre do lado do mais poderoso, ainda que sejam os sírios, acusados pela morte de seu pai – algo não tão importante na terra que vive como o filme “O Poderoso Chefão”. Vale lembrar que a Síria recebe uma comitiva americana para tratar da segurança do Iraque. Os Estados Unidos se aproximam cada vez mais de Damasco. Será que Jumblat percebeu algum movimento? Por enquanto, ele não se aliou com os xiitas da Amal e do Hezbollah, e com os cristãos de Michel Aoun, que integram a oposição. Preferiu se apoiar no presidente Michel Sleiman. Apesar de legalista, Sleiman sempre foi mais próximo do sírios do que dos sauditas – principal base de apoio do sunita Hariri.

Fatah está renovado?
Nos territórios palestinos, o Fatah diz ter se renovado, com 14 novos membros dos 18 do Comitê Central do Partido. Na verdade, são nomes que sempre estiveram na mídia. Um deles é o de Saeb Erekat. Honestamente, achava que ele fizesse parte do comitê central, já que está à frente das negociações com os israelenses desde Oslo. Não encaro tanto como renovação. O Fatah equivale ao Partido Justicialista (peronista) da Argentina. Tem de tudo e sempre dá um jeito de ficar no poder. Como dizem os argentinos, “és más de lo mismo”. Assim como o restante do Oriente Médio, como vocês viram acima.

O perigo está no Iêmen

Quer dizer, quase todo. Enquanto os EUA combatem o Taleban no Afeganistão, o Iraque ruma para uma guerra civil, os palestinos “se renovam”, os libaneses brincam de trocar de alianças e a Síria faz realpolitik, o Iêmen se desintegra. São separatistas no norte, no sul e a Al Qaeda cada vez mais forte. Já alertei uma vez aqui para o risco oferecido pelo radicalismo no território iemenita. Vamos ver como vai acabar.

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