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Meu adeus ao blog “De Beirute a Nova York”

gustavochacra

21 Maio 2018 | 23h40

Após dez anos, decidi encerrar meu blog no Estadão. Foi uma honra ter escrito neste espaço por quase uma década. Comecei durante o período quando eu era correspondente itinerante do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio, em setembro de 2008, um ano depois de terminar meu mestrado na Universidade Columbia. Escrevi de Beirute, Damasco, Amã, Ramallah, Gaza, Jerusalém, Tel Aviv, Cairo, Istambul, Sanaa e Dubai. O nome era “Diário do Oriente Médio”. Quando voltei a viver nos EUA, como correspondente do Estadão, alterei para “De Beirute a Nova York”.

Ao longo deste período, me tornei amigo de muitos leitores, como o Mario Nusbaum, Gabriel Paciornik, Rossana Schenker, Ali Abdulhamid e Fabio Nogueira. Fizemos vários encontros em São Paulo. Também conheci alguns leitores no Líbano e em Israel. No blog, aprendi que nós jornalistas devemos nos aproximar dos leitores e da audiência.

Em 2012, comecei a comentar para o Globonews Em Pauta. Como entrava apenas uma vez por semana, consegui me manter como correspondente e blogueiro do Estadão. No ano seguinte, porém, entrando cada vez mais na TV, tive de deixar o posto de correspondente. Não dava mais conta. Mas continuei no blog. No ano passado, o jornal O Globo me chamou para escrever uma coluna. Ainda assim, segui aqui no blog. Agora, porém, passei a comentar cada vez mais para a Globonews e me tornei comentarista também da TV Globo. Para completar, estou escrevendo o livro sobre a Síria. Não tinha mais condições de me dedicar como eu queria ao blog. E decidi encerrar. Talvez volte no futuro em outro jornal ou site.

Mas vocês poderão me ver três vezes por semana no Globonews Em Pauta, no Jornal da Globo e no Jornal das Dez, todos os dias no Jornal das 18h e ainda no Globonews Internacional e no Estúdio I. Obviamente, tem a minha coluna no jornal O Globo todas as quintas sobre política internacional, com foco em Oriente Médio.

Ao longo destes dez anos, sempre deixei claro que um dia gostaria de viajar de Beirute a Tel Aviv e de Damasco a Jerusalém em um Oriente Médio pacífico. No mundo levantino, das antigas cidades cosmopolitas mediterrâneas. Infelizmente, a chance de eu conseguir fazer esta viagem hoje é menor do que uma década atrás. Mas espero que, em 2028, meus filhos Julia e Antonio possam ler estes textos em um mundo melhor. Curiosamente, escrevo este último post na semana seguinte que meu pai recebeu a cidadania libanesa. Fica como homenagem a ele, que tanto me ajudou a gostar daquela região onde nasceram meus avós Adib e Lorete, na pequena vila de Rachaya, aos pés do Monte Hermon, próximo da Tríplice Fronteira entre o Líbano, Síria e Israel.