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Meu texto em defesa da Hebraica

gustavochacra

02 de março de 2017 | 20h41

Eu cresci em São Paulo indo a clubes. Embora também tenha sido sócio do Pinheiros na infância, sempre frequentei o Paulistano, onde estão meus melhores amigos. E, pela natação, pelo polo aquático e como comentarista de política internacional estive em muitos clubes da cidade – Espéria, Hebraica, Paineiras, Monte Líbano, Sírio, Tênis Clube, Juventus.

Na Hebraica, estive pela primeira vez para competir em um revezamento de natação aos nove anos. No fim da competição, deram um vale-lanche com um sanduíche e um suco. Nunca vou esquecer. Depois, voltei dezenas de vezes para jogar polo aquático pelo Paulistano nos anos 1990. Comia um pão de queijo e tomava um guaraná no Bar do Pedrinho ou um bolo de chocolate e um suco no Amor aos Pedaços e passeava pelo Ginásio dos Macabeus. Os jogos, no verão, eram na piscina externa, de 50 metros. No inverno, na interna, de 25 metros.

A Hebraica, no polo aquático, não era o melhor time. Mas a equipe da categoria 1973, quando os atletas tinham uns 18 anos, se uniu e, de forma heroica, conquistou o campeonato brasileiro junior. Posso ter esquecido algum nome, mas era UG (grande surfista de peito), Thomas, Rubens, Ariel, Roge, Betinho, Daniel, Jairo, Xande. E, conforme escrevi aqui no passado, “os atletas da Hebraica ainda levam uma vantagem que sempre deixou os jogadores de pólo aquático do Paulistano, meu clube, com inveja. Eles disputavam uma Olimpíada, a Macabíada, que reúne jovens judeus de todas as partes do mundo para competir em dezenas de modalidades esportivas em Israel.”

Passei anos sem ir à Hebraica. Mas retornei duas vezes recentemente para dar palestras. Foi uma super honra ir ao maior clube judaico do Brasil para falar de Israel e Oriente Médio.  Alguns sócios da Hebraica discordam de minhas análises. Outros concordam. É natural. Mas jamais fui desrespeitado ou me impediram de expor minhas opiniões. Ao contrário, fui recebido como se fosse parte da família. E o fato de ter origem libanesa? Nenhum problema. Um dos sócios que eu conversei nasceu e cresceu em Beirute, onde havia uma proeminente comunidade judaica até a eclosão da Guerra Civil. Mais importante, sou e sempre serei um admirador da comunidade judaica no Brasil. Moro no Upper West Side em Nova York, que é basicamente um bairro judaico liberal com suas sinagogas, seu JCC (infelizmente, tem sido alvo de ameaças de bomba) e, acima de tudo, o Zabar’s, meu lugar favorito de Nova York.

Escrevo este texto devido a uma polêmica envolvendo a Hebraica e o deputado Jair Bolsonaro.