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México atrapalha relações Brasil-EUA

gustavochacra

09 de abril de 2012 | 11h10

 no twitter @gugachacra

O Financial Times defendeu em editorial publicado hoje que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveite a visita de Dilma Rousseff a Washington e apóie a inclusão do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

No mesmo jornal, Moises Naim, ex-editor da revista Foreign Policy e atualmente no Carnegie Endowment for International Peace, afirma que americanos e brasileiros deveriam assinar um acordo de livre comércio – aliás, ele lembra corretamente que há dez anos escreveu a mesma coisa quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou George W. Bush.

Nos dois casos, foram apresentados argumentos para explicar a necessidade da inclusão do Brasil no conselho e também para o tratado comercial. Obstáculos, como o voto contra sanções ao Irã na ONU, foram citados. Mas o Financial Times e Naim esqueceram que o México, e não outras questões, são a grande barreira para o avanço nas relações EUA com o Brasil.

Os mexicanos trabalharam para sabotar as negociações da ALCA ao longo dos anos 1990. Depois da assinatura do NAFTA, não era interesse deles que os EUA tivessem um acordo similar com o Brasil. E, quando os dois país estiverem juntos no Conselho de Segurança em 2010, o México aproveitava todas as oportunidades para mostrar ser mais “sério” do que o governo brasileiro.

Não custa lembrar que a presidência do órgão decisório máximo das Nações Unidas era mexicana na votação da resolução contra o Irã, que o Brasil e a Turquia forma contra. E, obviamente, quer queira quer não, o México é mais importante do que o Brasil para os Estados Unidos.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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