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Michel Temer poderia ser presidente do Líbano? E Maluf ou Haddad?

gustavochacra

29 Março 2016 | 19h08

Michel Temer, que assumiria a Presidência em caso de impeachment de Dilma Rousseff, tem direito à cidadania libanesa por ser filho de pai e mãe libaneses. Mas não poderia ser presidente do Líbano, ainda que tivesse nascido em Btaaboura, cidade de onde imigrou sua família no norte do país dos cedros.

O problema é a religião de Temer. Ele é de origem cristã grego-ortodoxo. E, no Líbano, por convenção, o presidente precisa ser cristão maronita, que são majoritários entre os cristãos libaneses. Temer tampouco poderia ser primeiro-ministro, pois este cargo é destinado aos muçulmanos sunitas. E tampouco poderia presidir o Parlamento, pois este posto é reservado aos muçulmanos xiitas.

Temer não poderia sequer ser vice-presidente, pois não existe este cargo no Líbano. Quando não há presidente, o premiê assume o posto interinamente. Aliás, o Líbano está há quase dois anos sem presidente pois as duas coalizões partidárias não chegam a um consenso para eleger o presidente com dois terços dos votos no Parlamento.

E o que Temer poderia ser? Vice-premiê. Este cargo é destinado aos cristãos grego-ortodoxos. Além disso, atualmente, os grego-ortodoxos possuem também os ministérios da Defesa, Cultura e Economia no Líbano.

Fernando Haddad, também de origem cristã grego-ortodoxa, teria o mesmo problema de Temer. Para Paulo Maluf, de origem cristã melquita (grego-católica), seria ainda mais complicado, pois nem vice-premiê ele seria. Mas poderia comandar o ministério do Trabalho ou das Telecomunicações.

E eu? Meu avô era cristão ortodoxo, como Temer e Haddad. Minha avó, cristã melquita, como Maluf. Como a lei determina seguir a linhagem paterna, eu poderia ser no máximo vice-premiê.

Muitos brasileiros descendentes de libaneses são cristãos maronitas. Estes poderiam ser presidente ou chefe das Forças Armadas.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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