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Minha carta para os europeus receberem imigrantes e refugiados da Síria

gustavochacra

02 Setembro 2015 | 11h20

Se eu fosse governante de uma nação europeia, faria o possível para receber o maior número de imigrantes e refugiados possível. Afinal, as cidades mais desenvolvidas do mundo são as construídas por imigrantes. Isso sem falar na mais poderosa economia, a americana.

Nova York, maior e mais importante cidade dos EUA, foi construída por imigrantes e refugiados de guerra. Londres, mais rica cidade da Europa, é provavelmente a capital com maior porcentagem de imigrantes no continente europeu. Dubai, mais vibrante cidade do Golfo Pérsico, tem nove em cada dez habitantes nascidos em outro país. Tel Aviv, cidade mais desenvolvida do Oriente Médio, também foi construída por imigrantes – aliás, basta comparar Israel com o Egito para ver a vantagem de ter imigrantes.

Para completar, não podemos esquecer de São Paulo, mais rica e desenvolvida cidade do Brasil. A estrada que liga Santos, maior porto da América do Sul, à capital paulista se chama Rodovia dos Imigrantes. Italianos, alemães, portugueses, sírios, africanos, libaneses, japoneses e judeus de diferentes partes do mundo ajudaram a construir a economia de São Paulo, disparada a maior do Brasil.

Os melhores hospitais de São Paulo e do Brasil, por exemplo, se chamam Einstein e Sírio-Libanês, ambos erguidos por imigrantes. O hospital Osvaldo Cruz, apesar do nome, é alemão e erguido por imigrantes.

Este brasileiro residente nos EUA sequer existiria se não fossem imigrantes, pois tem um avô italiano e dois avós libaneses, que me deram os sobrenomes Cerello Chacra (sem falar em Dante, Salum, Bussaly e Malouly que não estão no meu RG) – minha outra avó tem origem portuguesa distante (Lima e Silva e Teixeira Netto). Quase todos os meus amigos possuem antepassados nascidos na Europa, na Ásia ou na África.

Meu time de polo no Paulistano tinha Weinstock, Cocuzza, Raduan, Monoli, Sarhan, Levy, Polacco, La Selva, Nahuz, Borghi. Todos descendentes de imigrantes. Entre nossos adversários, estava a Hebraica (judaica) e o Pinheiros (alemão, chamado de Germânia no passado). Os imigrantes nos deram o maior time de futebol do Brasil, o Palmeiras, antigo Palestra Itália. Não fossem os imigrantes, talvez estivéssemos restrito apenas ao São Paulo Futebol Clube. Já pensou que terror?

Aliás, falando em futebol, os melhores times do mundo são multinacionais, como o Barcelona, com um ataque formado por um uruguaio, um brasileiro e um argentino, o Manchester United, o Real e o Bayern. A França só foi ser campeã mundial quando teve um time multicultural em campo – e a Alemanha, com seus craques nascidos na Polônia e na Turquia, goleou o Brasil por 7 a 1. E o melhor jogador da Itália hoje? Nasceu na África.

Portanto, morro de inveja dos europeus que podem receber dezenas de milhares de sírios, que trarão empreendedorismo, abrirão empresas e ajudarão a movimentar a economia, além de deixar as cidades muito mais vibrantes e multiculturais. Querer ter uma raça só é nazismo, como a Alemanha de Hitler. Para derrotá-los, apenas nações multiculturais construídas por imigrantes, como os Estados Unidos.

Pena que, infelizmente, algumas nações europeias se equivocam e acham que os imigrantes e refugiados são um problema, não a solução.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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