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Minha carta ultra pessimista para quem, como eu, gosta da Turquia

gustavochacra

02 de novembro de 2015 | 15h54

Eu gosto da Turquia. Gosto desta nação esplendorosa que tem Istambul, antiga capital do Império Otomano. Istambul que foi Constantinopla, capital do Império Bizantino. Gosto da parte “islâmica” de Istambul no bairro de Sultanahmet, com a Mesquita Azul. Gosto da parte “europeia” de Istambul no charmoso bairro de Nisantasi. Gosto da parte “argentina” na rua Istiklal, um calçadão que lembra a Calle Florida de Buenos Aires, ou nas partidas do Besiktas, do Galatasaray e do Fenerbace que bem poderiam ser do Racing, River Plate e Independiente. Gosto da parte “mediterrânea” em Galata.

A Turquia era até bem poucos anos atrás um exemplo a ser seguido por seus vizinhos no Oriente Médio. Uma democracia laica, com liberdade religiosa, uma sociedade vibrante, cosmopolita e com uma economia emergente. Com uma diplomacia da amizade, próxima a Israel e próxima aos palestinos. Membro da OTAN, mas parceira econômica do Irã e da Rússia.

Mas a Turquia corre enorme risco de implodir. Recep Tayyp Erdogan, que foi uma década atrás um elogiado premiê, se apaixonou pelo poder. Hoje, no cargo de presidente, quer praticamente se transformar em um sultão. Seu partido, o AKP, uma espécie de PT islâmico, conquistou a maioria do Parlamento. E Erdogan tentará concentrar ainda mais poderes em suas mãos. Tende a conseguir, embora não esteja descartado um braço de ferro com seu ex-pupilo Davutoglu, atual premiê.

Hoje a Turquia já é uma nação que censura redes sociais e persegue jornalistas e opositores. Uma nação com uma economia que não para de se deteriorar. Uma nação que se tornou alvo de terrorismo. Uma nação que se envolveu em conflitos nos seus vizinhos Iraque e Síria. Uma nação que cada dia mais se distancia da democracia.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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