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Minha resposta ao Felipe Moura Brasil

gustavochacra

15 de agosto de 2014 | 16h20

O jornalista Felipe Moura Brasil me criticou em seu blog na Veja e leitores pediram resposta. Primeiro, como quem me segue sabe, nunca critico outros jornalistas. Quando discordo de algum, escrevo pessoalmente para a pessoa. Fiz isso algumas vezes com o Rodrigo Constantino, a quem conheci no Rio no ano passado em palestra para a Comunidade Judaica do Rio, com o Reinaldo Azevedo, a quem conheço por email e por telefone uma vez, e com o Caio Blinder, de quem sou amigo pessoal. Também escrevo para eles e outros para elogiar (discordo do Reinaldo em alguns pontos de Israel, mas concordamos na Síria).

A história começou, segundo o post do Felipe Moura Brasil, que pode ser lido aqui, com um leitor que me segue no Twitter e insiste em compartilhar textos o tempo todo. Em determinada hora, ele compartilhou um do Felipe Moura Brasil. Era um vídeo e eu não abri o link (quem me segue sabe que não permito a publicação de vídeos no meu perfil no Facebook, mas não tenho como evitar no Twitter). Eu estava cansado de tanto ele mandar ler textos de outras pessoas o tempo todo e pedi para ele compartilhar o meu. E, neste momento,  admito que fui arrogante. O Felipe tem razão. Disse que por ter mestrado na Universidade Columbia e conhecer Gaza e Israel minhas opiniões teriam maior valor. Não tem. Eu estou errado. Uma pessoa pode escrever um ótimo artigo de opinião sem conhecer Gaza e sem ter formação acadêmica. No Twitter, às vezes exageramos e peço perdão pela arrogância. Mais uma vez, errei.

Agora, no restante do texto, o Felipe Moura Brasil afirma que sou de esquerda. Não sou. Inclusive, costumo ser criticado por ser de direita em questões econômicas e por ter simpatizado com a candidatura de Mitt Romney à Presidência dos Estados Unidos. Isto mesmo, eu considerava o republicano o melhor candidato e ainda acho que teria sido um ótimo presidente, assim como foi um ótimo governador em Massachusetts, no comando das Olimpíadas de Salt Lake City e como CEO da Bain Capital, um fundo de private equity.

Aparentemente, o Felipe Moura Brasil me classificou de esquerdista por eu combater a islamofobia. Eu combato também o antissemitismo e não acho que condenar islamofóbicos tenha a ver com direita ou esquerda. Tem a ver com valores que aprendi com a minha família, sendo metade dela cristã do mundo árabe.

Se for minhas posições de política externa, tampouco sou de esquerda.  Nos últimos tempos, para os EUA, sou defensor de uma política mais isolacionista. Neste caso, há defensores no espectro político americano tanto na direita, com o libertário Rand Paul, do Partido Republicano, como na esquerda, com a senadora Elizabeth Warren, do Partido Democrata. Já Hillary Clinton, democrata, e John McCain, republicano, tendem a ser mais conservadores. Esquerda, em política externa, é ser ideológico e, por exemplo, condenar os EUA mas não condenar Cuba. Eu não sou assim. Aliás, moro em Nova York e literalmente amo os EUA, onde escolhi estudar e trabalhar.

Sobre a Columbia, de fato, a universidade, assim como quase todas nos EUA, é “liberal” no sentido americano da palavra – na Europa e no Brasil, seria esquerda a tradução (Embora a Columbia talvez esteja à direita do PSDB). Isso não significa que ex-alunos ou professores sejam de esquerda. O dean da Columbia Business School foi assessor de Romney e Bush. Warren Buffet também estudou na Columbia, assim como grande parte do mercado financeiro em Wall Street. O mesmo vale para filhos de banqueiros no Brasil. E o Armínio Fraga, presidente do Banco Central de Fernando Henrique e comandante da equipe econômica de Aécio Neves, foi professor na Columbia. O Pedro Malan, ministro de FHC, foi orientado pelo Albert Fishlow, meu professor na Columbia (ele era de Berkeley antes). Um dos meus melhores amigos em NY é um brasileiro, muçulmano, de direita e aluno do PhD em economia da Columbia. E, realmente, tive um professor de origem palestina que é um dos mais renomados historiadores dos EUA. Mas isso não quer dizer que eu concorde com ele. Na aula dele, inclusive, a maioria era judaica (algo normal na Columbia, com 30% de alunos judeus) e havia também israelenses.

Não sei como faz para publicar comentários. Portanto pediria que comentem no meu Facebook (Guga Chacra)  e no Twitter (@gugachacra), aberto para seguidores

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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