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Morsi, novo presidente do Egito, não é um Mandela

gustavochacra

24 de junho de 2012 | 11h54

no twitter @gugachacra

Mohamed Morsi, eleito presidente do Egito, não é um líder histórico de combate ao regime anterior. Trata-se de uma figura menor do que a Irmandade Muçulmana, seu partido, e não maior, como Nelson Mandela em relação ao Congresso Nacional Africano e Lech Walesa ao ser comparado ao seu Solidariedade.

Tampouco Morsi desfrutará de poderes para transformar o Egito da forma como ele pretende. De um lado, precisará seguir as orientações da organização islâmica. De outro, as Forças Armadas manterão pode de veto em questões de política externa e defesa. Além disso, com a dissolução do Parlamento, os militares possuem o controle legislativo no Cairo.

Para completar, não se sabe por quanto tempo Morsi permanecerá no poder. Depois de a Constituição ser aprovada, com a mão dos militares, um novo Parlamento e possivelmente um novo presidente serão eleitos.

Ainda assim, Morsi, um desconhecido PhD pela Universidade do Sul da Califórnia até meses atrás, será uma das figuras mais acompanhadas do mundo árabe nos próximos meses. Suas ações e declarações repercutirão de Rabat a Sanaa. Todos gostaremos de saber qual a sua visão sobre os direitos das mulheres e das minorias religiosas, como os coptas. Como será o seu discurso em relação a Israel, com quem Egito assinou um acordo de paz há mais de três décadas? Como ficam as relações com os EUA, que fornecem às Forças Armadas egípcias US$ 1,3 bilhão por ano? Como seu desempenho afetará os destinos do islã político na Síria, Tunísia, Iêmen, Líbia e mesmo a Argélia?

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios