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Muitos sírios gostam de ditadura assim como muitos brasileiros gostavam do regime militar

gustavochacra

08 de novembro de 2011 | 12h20

no twitter @gugachacra

Pessoas gostam de ditaduras. Não vamos nos iludir achando que todos os líbios, egípcios e tunisianos queriam derrubar seus líderes para a implantação de democracias nos moldes escandinavos. Na verdade, parcela elevada da população destes países idolatrava seus líderes e gostava do regime em que vivia, independentemente da opressão.

Na Síria, internamente Assad sofre críticas, conforme escrevi aqui certa vez, por ter matado “muito matou pouco”. “Se fosse o velho Hafez, não teríamos estes problemas”, chegam a dizer, segundo me afirmou certa vez um analista, lembrando do antigo comandante do regime e pai de Bashar.

Para estes sírios, os manifestantes são baderneiros e terroristas. A melhor lição seria eliminá-los de uma vez. Morrer alguém em Homs pouco interessa para alguém da elite em Damasco ou Aleppo. São como alguns paulistas e cariocas que querem o BOPE e a ROTA destruindo os criminosos, mesmo com “os efeitos colaterais” de civis mortos.

Depois que cai um regime, todos dizem ser contra. Mas é mentira. Somos brasileiros e temos um exemplo no nosso próprio país. Nossos dois primeiros presidentes (Sarney e Collor) eram ligados ao regime militar. Talvez a maioria dos brasileiros apoiasse os generais no poder nos tempos de Médici. No Chile, Pinochet, mesmo depois da fim da ditadura, desfrutava de suporte aberto de metade da população.

Muitos sírios gostam do Assad porque ele é ditador. Muitos sauditas gostam da monarquia dos Saud porque eles tratam as mulheres como animais. Muitos americanos gostavam do Bush porque sua ofensiva ao Iraque matava árabes. Muitos árabes gostam do Hezbollah porque o grupo xiita mata judeus.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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