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Na Síria, oposição forte é amiga da Al Qaeda, não de Obama

gustavochacra

12 de dezembro de 2012 | 10h59

Obs. Estou de férias, mas este assunto é importante

No dia em que rebeldes da oposição massacraram cerca de 200 pessoas em uma vila alauita na Síria, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, decidiu reconhecer uma coalizão de opositores no exílio como representante oficial do povo sírio.

Verdade, este grupo, com o nome de Coalizão Nacional das Forças de Oposição e Revolucionárias, nada tem a ver com o massacre. Mas tampouco é relevante dentro da Síria. A organização, que jamais foi eleita, não conta com o apoio dos rebeldes sírios que todos os dias arriscam as suas vidas para lutar contra as forças de Assad. Além disso, não desfruta de popularidade no território sírio.

Aliás, o grupo opositor mais importante na atual guerra civil síria é a Frente Nusra, ligada à Al Qaeda  e considerada terrorista pelo governo Obama. O presidente dos EUA, inclusive, consegue a façanha de ser odiado pelo regime e pela oposição na Síria.

Apesar disso, na minha opinião, Obama nada pode fazer em relação ao futuro da Síria. Assad tende a cair ou dominar porções cada vez menores do território até controlar apenas a costa mediterrânea. Mas sua queda não significará o fim da guerra civil. Será apenas o início de uma nova etapa. Nunca é demais lembrar que conflito no Iraque, que completará dez anos, começou justamente depois da deposição de Saddam Hussein.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

 

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