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Naftali Bennett é o maior adversário de Netanyahu e do processo de paz com os palestinos

gustavochacra

30 de outubro de 2013 | 10h36

Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, ao entrar nas negociações secretas com os palestinos mediadas pelos EUA sabia que suas ações certamente deixariam algumas facções de seu próprio governo insatisfeitas. Afinal, é impossível chegar a um acordo de paz com a Palestina agradando simultaneamente todos os israelenses. O mesmo se aplica ao presidente palestino, Mahmoud Abbas. Jamais ele conseguirá um consenso em toda a Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Neste processo de negociações, há uma tentativa de construir confiança. Esta estratégia é usada em diálogo de paz não apenas entre povos, como também de empresas, em todo o planeta. Neste cenário, Netanyahu concordou em soltar prisioneiros palestinos envolvidos em mortes de israelenses que teriam sido presos entre 1984 e 94.

Ao todo, nesta primeira leva, foram libertados 21 moradores da Cisjordânia e cinco da Faixa de Gaza. Este valor, de 26, equivale a cerca de 0,5% do total presos palestinos em Israel, estimado em 5 mil.

A decisão foi celebrada nos territórios palestinos. Ao mesmo tempo, Netanyahu acabou sendo atacado por membros mais radicais de seu próprio governo, irritados com a medida. O certo, porém, é que o premiê israelense parece estar comprometido com as negociações e deve ser valorizado por esta atitude.

Uma alternativa para contornar os protestos internos, seria Netanyahu formar uma outra coalizão, buscando o apoio do Partido Trabalhista, mais à esquerda no espectro israelense, e deixando de lado o mais conservador, do Casa Judaica, da Naftali Bennett, responsável pela maior parte dos protestos contra o premiê.

Se Bennett não tolera sequer a libertação dos 26 prisioneiros, será quase impossível ele aceitar concessões ainda maiores envolvendo os assentamentos judaicos na Cisjordânia, o status final de Jerusalém e o destino dos refugiados palestinos. Netanyahu teria apenas a ganhar se o retirasse de sua coalizão.

Verdade, os dois lados, Israel e Palestina, precisam se manter céticos com as negociações de paz. A chance de fracassar é enorme. Mas não custa tentar. Um acordo final beneficiaria a todos, mesmo quem se posiciona contrariamente. O mundo não aguenta mais a falta a solução para este conflito e o status quo, embora menos violento do que anos atrás, é insustentável. Israel não tem como ser democrático, judaico e ocupando a Cisjordânia. Dá para ser duas destas três. Se optar por ser judaico e democrático, precisa aceitar a criação de um Estado palestino.

No fim, a tendência é de que um Estado Palestino seja criado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os principais blocos de assentamentos, próximos da fronteira, ficariam com Israel, em troca de outras terras. Jerusalém seria uma capital unificada, capital de dois Estados. No caso palestino, mais simbólico, com a sede da Presidência, enquanto a administração permaneceria em Ramallah, a poucos quilômetros de distância. Os refugiados palestinos poderiam voltar para o novo país, mas não para o que hoje é Israel.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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