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Não dá para perdoar Lance Armstrong

gustavochacra

18 de janeiro de 2013 | 03h17

Lance Armstrong pode ter confessado ontem que se dopou ao longo de sua carreira na histórica entrevista para Oprah Winfrey. Mas não dá para perdoar as suas mentiras depois de destruir tantas vidas ao longo destes anos. Vale a pena ler sobre os processos vencidos por ele contra pessoas que diziam a verdade, enquanto o ciclista mentia. Pessoas como o jornalista David Walsh, como a massagista Emma O’Reilly (que ele disse pateticamente não lembrar de tê-la processado!), como a mulher de um outro ciclista chamada Betsy Andreu.

Também não justifica dizer que todos os outros ciclistas se dopavam e Armstrong era o melhor mesmo assim. Honestamente, não sei. Porque nunca saberemos como se sairiam no Tour de France os atletas que não se dopavam e competiam em condições de inferioridade contra Armstrong. Existem, acreditem. Ele próprio admitiu na entrevista.

Também não justifica defende-lo porque ele superou um câncer. Superar uma doença não significa dar o direito de trapacear. Hugo Chávez, caso se cure do câncer, deve ser perdoado por todos os erros que cometeu? Verdade, Armstrong tem o mérito de ter fundado o Livestrong. Mas pense no exemplo dele ao usar substâncias proibidas? Eu, como atleta amador de pólo aquático no passado, via muitos amigos e adversários se doparem. É deprimente.

Armstrong poderia ter entrado para história como Pelé, Mohammad Ali, Roger Federer, Manuel Estiarte e Michael Jordan. Mas, no fim, será um dos maiores mentirosos de todos os tempos.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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