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Não é apenas Obama versus Romney; tem também o libertário Gary Johnson

gustavochacra

02 de outubro de 2012 | 12h39

Eleições nos EUA 2012

Simplificando muito, os americanos votam pensando em três fatores – Economia, Política Externa e Questões Sociais. O peso de cada uma delas varia de acordo com a eleição e com o eleitor.

Se você fosse americano, poderia escolher entre Barack Obama ou Mitt Romney, segundo o que mostra a imprensa. Seriam somente duas escolhas. O problema é que, muitas vezes, o pacote completo deles não se encaixa com as suas idéias.

Nas questões sociais, os democratas seriam mais liberais. Já os republicanos, mais conservadores. Logo, se a pessoa, por exemplo, defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo, talvez não se sinta à vontade para votar em Romney. Lembrando, claro, que o republicano não via problemas na união entre pessoas do mesmo sexo anos atrás e o presidente era contra até outro dia. Além disso, não cabe à Casa Branca decidir sobre isso, mas aos Estados e/ou à Suprema Corte

Na política externa, não há praticamente diferença entre o democrata e o republicano. Obama continuou a política de Bush para o Iraque (seguiu o cronograma do surge), a intensificou no Afeganistão, manteve Guantánamo aberta e multiplicou (potencializou) os ataques no Yemen, matando muitos civis no meio do caminho, além de iniciar a Guerra da Líbia sem autorização do Congresso

Na Economia, Romney defende um Estado menor e Obama seria a favor de um pouco mais de intervenção. De qualquer maneira, as diferenças são poucas e ambos dependem muito das ações do Federal Reserve (Banco Central dos EUA) e do Congresso

Antes de terminar, vale lembrar que existe a reforma do sistema de saúde. Os dois são idênticos. O Obamacare é uma cópia do Romneycare, de Massachusetts

Logo, provavelmente, o leitor talvez se identifique como independente. Isso, claro, se não souber de um terceiro candidato, o libertário Gary Johnson. Vale a pena dar um Google nele.

Caso você seja pacifista, diferentemente do bélico Obama (Romney é uma incógnita nesta questão), defenda um Estado mínimo e seja a favor da legalização da maconha (Obama é radicalmente contra, apesar de ter fumado bastante na juventude), do casamento gay, do direito ao aborto e de um Estado mínimo, sem intervenção do governo na sua vida, com menores impostos e menos gastos, liberal com os imigrantes, talvez simpatize com Johnson. E ele não é qualquer um. Governou o Novo México por oito anos.

Infelizmente, não o convidaram para o debate de amanhã. Imagine o Obama sendo comparado a Bush em rede nacional? Com as pessoas descobrindo que ele tirou as tropas do Iraque para mandar ao Afeganistão? Que jovens mexicanos fazendo piquinique na margem sul do Rio Grande foram mortos pelas forças de Obama, segundo escreveu o próprio presidente do México no Wall Street Journal?

Johnson afetaria o resultado final da eleição se tivesse o mesmo espaço de outros independentes, como Ross Perot (1992) e Ralph Nader (2000). Mas não terá.

Obs. Meu irmão lembrou que também há um candidato do Partido Verde, apoiada pelo Nader

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra


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