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Não há nada de especial no apoio de Romney a Israel; Obama foi igual quando era candidato em 2008

gustavochacra

30 de julho de 2012 | 13h04

Algumas pessoas agem com espanto depois das declaracões de Mitt Romney favoráveis a Israel, incluindo a defesa da transferência da Embaixada para Jerusalém. Não há novidade. Todos os candidatos americanos à Presidência buscam em suas campanhas conquistar a simpatia dos israelenses e dos defensores do país nos EUA, sejam eles judeus, cristãos ou ateus.

No debate dos candidatos a vice nas eleições presidenciais de 2008, Sarah Palin e Joe Biden fizeram as seguintes afirmações, segundo transcrição disponível no site do New York Times – o vídeo pode ser visto abaixo no Youtube

Palin –  “Eu sei que nós dois amamos Israel e acredito que esta é um boa coisa que concordamos, senador Biden. Eu respeito a sua posição”

 Biden – “Ninguém no Senado dos Estados Unidos foi um melhor amigo de Israel do que eu. Nunca integraria a chapa de Obama caso não tivesse absoluta certeza de que ele comparte da minha paixão”

Como disse um professor meu da Universidade Columbia, Israel e Irã são política doméstica dos EUA. Todos os políticos em campanha, com raras exceções como os libertários do Partido Republicano (Ron Paul), sempre insistem que “os israelenses são bons e os iranianos são ruins”.

Desta forma, precisamos verificar o sucesso de presidentes na condução do processo de paz entre Israel e Palestina, e não o que eles afirmam. George Bush, o pai, conseguiu forçar os dois lados a negociarem. Bill Clinton conseguiu um acordo (Oslo), mas fracassou depois em Camp David. George W. Bush avançou em negociações em Aqaba e Anápolis, mas terminou sem sucesso.

Obama, porém, fez o processo apenas retroceder, com os dois lados sequer dialogando. Logo, independentemente de concordar ou não com Romney, é difícil imaginar um fracasso maior do que o do atual presidente no processo de paz.

Isso levando em contra que os palestinos possuem líderes (Mahmoud Abbabs e Salam Fayyad) bem mais moderados do que Yasser Arafat, no poder durante o mandato de outros presidentes. E Israel é governado por um premiê pragmático, Benjamin Netanyahu, que nunca entrou em guerra com os palestinos e, diferentemente de ídolos da “paz”, como Shimon Peres, desacelerou a construção de assentamentos. Mais importante, sua “paz econômica” tem sim funcionado, embora sem o apoio de Obama.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

 

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