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Não podemos ignorar as atrocidades dos rebeldes sírios, que massacram alauítas e cristãos

gustavochacra

10 de fevereiro de 2014 | 12h10

Sempre falam das atrocidades do regime de Bashar al Assad. Mas não podemos esquecer que os rebeldes sírios são tão violentos quanto. Hoje surgem relatos de que grupos opositores armados massacraram 40 pessoas, incluindo mulheres e crianças, em uma vila majoritariamente alauíta. Rebeldes também divulgaram mais um vídeo de 12 freiras sequestrados por rebeldes quando eles invadiram a milenar vila cristã de Maalula em dezembro. Além delas, rebeldes têm atacado repetidamente o Vale dos Cristãos (Wadi al-Nasara), nas proximidades do Crak des Chevalliers. Cristãos armênios dizem que centenas deles foram capturados e mortos por rebeldes.

Alauítas e cristãos costumam ser associados ao regime de Assad. Eu estive algumas vezes em Maalula, inclusive durante o atual conflito, e me impressionou o fervoroso apoio dos habitantes a Assad. Eles temiam que, sem o atual regime, minorias religiosas sírias serão massacradas pelos rebeldes, majoritariamente sunitas religiosos.Eles tinham razão em parte. Porque mesmo com o atual regime, os rebeldes já estão massacrando cristãos e alauítas.

A Síria, historicamente, é uma nação laica. Mas a maioria da população (60%) é árabe sunita. Os cristãos e alauítas totalizam 10% cada um. Os drusos seriam 7% e os xiitas, 3% (isso mesmo, quase não há xiitas na Síria). Por último, há 10% de curdos sunitas.

O regime sírio tem viés secular. Assad nasceu alauíta, mas não segue a religião e se casou com uma sunita. A base de apoio de seu regime é composta pela elite sunita laica das grandes cidades, pelos alauítas, cristãos e drusos (os xiitas são praticamente irrelevantes).

Os rebeldes são religiosos sunitas e com base de apoio entre as camadas mais pobres. Na oposição no exílio, há membros de minorias cristãs e alauítas e figuras laicas sunitas também, mas eles não têm poder algum dentro do território sírio.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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