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Nasrallah, Hariri, Aoun, Gaegea, Jumblatt, Berri, Mikati e Suleiman podem salvar o Líbano

gustavochacra

15 Maio 2012 | 15h44

 no twitter @gugachacra

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Trípoli é uma cidade complicada no Líbano por ser praticamente uma Síria em miniatura. Os sunitas são majoritários e se dividem entre os defensores e inimigos de Assad. Alguns, especialmente entre os opositores, são salafistas. Nesta segunda maior metrópole libanesa, também vivem alauítas e cristãos.

Um dos líderes salafistas foi preso, provocando levantes. O Exército precisou intervir. Desta vez, conseguiu. Mas o cenário deve se deteriorar. Trípoli se transformou em um pólo de atração para militantes que querem entrar na Síria e lutar contra Assad. Quanto mais eles vierem, mais os libaneses, especialmente os cristãos e os xiitas, ficarão irritados.

Obviamente, no médio prazo, as divisões dentro do Líbano se agravarão. Mas, ao contrário da Síria, há líderes claros em cada um dos grupos sectários libaneses. Hassan Narallah, do Hezbollah, e Nabi Berri, da AMAL, dominam os xiitas. Saad Hariri e o premiê Najib Mikati são as forças sunitas, apesar de antagônicas. O mesmo se aplica aos cristãos de Michel Aoun (pró-Assad, por incrível que pareça) e de Samir Gaegea, anti-Damasco. Os druzos têm Walid Jumblatt e, em escala bem menor, Arslan.

Para completar, o presidente Michel Suleiman desfruta de enorme legitimidade e é respeitado pelas Forças Armadas, também predominantemente cristãs.

Todas estas figuras mantêm canais de negociação e devem ser incentivados a negociar para evitar a contaminação do conflito no Líbano. Eles têm o poder para atingir este objetivo. E, aplicando teoria dos jogos, tanto Nasrallah quanto Hariri perderiam muito em um conflito.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios