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Negociador de Oslo, israelense Yossi Beilin culpa Netanyahu pelo fracasso da paz

gustavochacra

25 Setembro 2011 | 11h57

no twitter @gugachacra

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Arquiteto dos Acordos de Oslo pelo lado de Israel e, posteriormente, líder de uma negociação pacifista em Genebra para resolver o conflito entre israelenses e palestinos, o israelense Yossi Beilin culpou o atual premiê Binyamin Netanyahu pela falta de avanço no diálogo para a paz com a Autoridade Palestina. A afirmação foi feita para mim em entrevista em um hotel de Nova York e publicada na edição impressa do Estadão. Lembro que Beilin segue uma linha de esquerda dentro da política de Israel, com uma visão próximo do jornal Haaretz.

 O que deu errado nestes 18 anos depois da assinatura dos Acordos de Oslo para chegarmos ao impasse atual?

Yossi Beilin – Os dois lados não levaram em consideração o poder das minorias. Embora as maiorias em Israel e na Palestina sejam a favor de uma solução pacífica, elas não têm o controle da situação na hora de tomar decisões. E estas minoria, que são determinantes no processo, se transformaram em obstáculos durante as negociações, usando a violência em alguns casos. E, até agora, estes grupos minoritários, obtiveram sucesso. A direita em Israel venceu as eleições. Na Palestina, tivemos a vitória do Hamas. Por este motivo, a chance de paz agora é menor do que nos anos 1990.

Não há hoje nenhuma possibilidade de acordo sobre as fronteiras. No lado israelense, temos um governo muito direitista que ideologicamente não está disposto a pagar o preço mínimo para a paz exigido pelo governo pragmático dos palestinos. No lado palestino, a atual administração não poderia garantir a Faixa de Gaza em um acordo e este seria implementado apenas na Cisjordânia.

 O Sr se sentiria seguro em assinar um acordo com os palestinos para, em cinco anos, haver o risco de um governo radical assumir o poder?

Beilin – Se eu fosse o premiê de Israel, assinaria um acordo com Abu Mazen (apelido de Mahmoud Abbas) com base nas negociações de Genebra e o implementaria na Cisjordânia e esperaria para implementar em Gaza. Por que? Porque sempre precisamos comparar com a alternativa. No momento, temos um parceiro moderado no lado palestino. Se assinarmos a paz com ele, teremos a comunidade internacional a nosso favor caso seu sucessor seja mais radical. Mas, se não assinarmos, seremos cobrados.

O que aconteceu com a imagem de Israel? Por que o país sofre tantas críticas e parece estar perdendo a guerra das relações públicas, especialmente em nações emergentes, como o Brasil, Turquia e África do Sul?

Beilin – Não é uma questão de relações públicas, mas de política. Temos um governo de extrema direita que nunca conseguirá ter boas relações públicas com as políticas implementadas.

 A ida dos palestinos à ONU será positiva?

Beilin – Não sou muito entusiasta desta atitude, já que não haverá um Estado palestino. Ao mesmo tempo, Abu Mazen (Abbas) estava em uma situação muito difícil. Ele não podia ficar sem fazer nada e tampouco tem um parceiro em Israel para a paz.

 

O que aconteceu com a esquerda de Israel?

Beilin – Ehud Barak (atual ministro da Defesa e ex-líder do Partido Trabalhista e ex-premiê de Israel) deve ser responsabilizado pela atual situação. Para ele, não há parceiros para a paz do outro lado e os palestinos apenas querem a violência. E esta visão ganhou força em Israel entre antigos pacifistas.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios