As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Nem os morros do Rio explicam o que pode acontecer na Síria

gustavochacra

13 de novembro de 2011 | 13h59

no twitter @gugachacra

Não há solução para a crise síria, suspensa ontem da Liga Árabe depois de não cumprir acordo para interromper a violência contra a oposição. A Síria é hoje o Líbano de 1975, o Iraque de 2003. Não tem mais volta. O regime não derrotará a oposição no curto prazo e muito menos os opositores ameaçarão o regime. Teremos um conflito civil de baixa intensidade, hoje restrito a Homs e algumas vilas na fronteira com a Turquia, por meses ou até mesmo anos.

Dizem que os iranianos aconselharam os sírios a torturar, mas não matar, os opositores. Esta foi a bem sucedida estratégia de Teerã em 2009, assim como da Jordânia e da Argélia na atual Primavera Árabe. Mas, na Síria, não funciona. Os dois lados, governo e oposição, vão se matar. Não teremos democracia e nem estabilidade de um regime, como nas décadas anteriores.

Milícias são constituídas contra e a favor do regime. Os conflitos sectários se agravarão. Mulheres cristãs e alauítas serão estupradas por sunitas. Homens sunitas terão seus órgãos sexuais cortados, como já aconteceu. Assistam ao filme Incêndios, sobre a Guerra Civil Libanesa, para saber o restante. Também servem os israelenses, sobre o Líbano, Valsa com Bashir e Lebanon. Outra opção é o libanês West Beirut. Se não encontrarem, tentem O Poderoso Chefão.

Levando em conta os acontecimentos na Rocinha, Tropa de Elite 1 e 2 também ajudam a entender a Síria.

Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.