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Nentanyahu ficou em primeiro, mas o centro venceu em Israel

gustavochacra

23 de janeiro de 2013 | 11h12

Conforme previsto, o Likud-Beiteinu, como é chamado o partido de Benjamin Netanyahu, foi o mais votado. O premiê também deve permanecer no cargo. Mas eu, quase todos os analistas e institutos de pesquisas erramos ao nos focarmos no ultra-nacionalista Naftali Bennett, do Casa Judaica, em vez de prestar atenção no centrista Yair Lapid, do partido Yesh Atid, surpreendente segundo colocado.

Ao todo, são 120 cadeiras no Knesset, como é chamado o Parlamento de Israel. O Likud-Beiteinu terá 31, bem abaixo das 42 anteriores. Em segundo lugar, o surpreendente centrista Yesh Atid, de Lapid, conseguiu 19. O Partido Trabalhista, historicamente a força de esquerda em Israel, terá 15. O Bayit Yehudi (Casa Judaica), de Bennet, teve apenas 11, assim como o ortodoxo Shas.

Se levarmos em conta os blocos políticos, a direita israelense terá 60 cadeiras, contra 60 dos partidos centro, esquerda e árabes. Na prática, Netanyahu tem o direito de formar o governo e é com maior capacidade de montar uma coalizão.

O problema, para Netanyahu, é que se convidar o centrista Lapid para a sua coalizão, entrará em rota de choque com os partidos religiosos. A grande bandeira do Yesh Atid, de Lapi, é a defesa da obrigatoriedade de os ortodoxos fazerem serviço militar. Em questões como a Palestina, ele defende a solução de dois Estados, mas não considera esta questão uma prioridade.

Caso decida seguir apenas com a direita, Netanyahu terá um governo mais fraco do que o anterior. A inclusão dos ultra-nacionalistas de Bennett podem aumentar ainda mais o isolamento internacional de Israel e colocar o país em rota de choque com os EUA. Este partido defende a anexação da Cisjordânia, reconhecida como parte da Palestina pela ONU, sem a concessão de cidadania para seus milhões de habitantes palestinos, o que se configuraria em algo similar a um Apartheid.

O ideal, e esta é a minha avaliação, seria Netanyahu buscar o apoio de Lapid e de outros partidos de centro esquerda como os de Tzipi Livni e os trabalhistas. Seria interessante buscar pelo menos um dos partidos árabes. Figuras como Bennett atrapalham Israel. Já figuras como Lapid podem ajudar a fortalecer o país. A decisão está nas mãos de Netanyahu.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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