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Neste post explico a melhor fórmula para derrotar o ISIS na Síria

gustavochacra

12 de setembro de 2014 | 18h23

O melhor dos cenários para a Síria, neste momento, seria a manutenção do regime, mas com a saída de Bashar al Assad, e a inclusão de algumas figuras da oposição doméstica tradicional de Damasco. Um novo líder laico, mesmo sendo integrante do Baath ou das Forças Armadas envolvido nas ações militares, não teria sobre si o peso do nome Assad e poderia reatar as relações com a Turquia, se aproximar dos EUA, sem a necessidade de romper com Rússia, Irã e Hezbollah. Este novo líder, com o regime intacto, poderia ser armado pelos EUA e outros países para enfrentar o ISIS.

Armar grupos opositores supostamente moderados, como pretende Obama, será uma tarefa árdua e que levará muito tempo. Eles são fracos, irrelevantes, aliados da Frente Nusrah (Al Qaeda) e sem apoio popular. A chance de fracasso é enorme. Obviamente, Assad não irá sair por livre e espontânea vontade. Mas em vez de armar rebeldes, os serviços de inteligência dos EUA deveriam há tempos ter organizado um golpe de Estado para derrubá-lo em coordenação com membros das forças de segurança sírios.

Muitos comandantes militares e de milícias pró-governo sírios, sejam eles alauítas, cristãos ou sunitas, estão insatisfeitos com a performance de Assad. Sem dúvida odeiam os rebeldes do ISIS, da Frente Nusrah (Al Qaeda) e mesmo os tais moderados carpinteiros, engenheiros e padeiros, nas palavras de Obama. O regime ainda é a única forma de garantir a segurança de cristãos, alauítas e drusos. Os rebeledes, mesmo os tais moderados, cometerão genocídio se puderem. Nos tempos da Guerra Fria, um golpe provavelmente já teria ocorrido para manter o regime sem Assad. Era comum na América Latina e mesmo no Oriente Médio.

Ou, talvez, tenha havido uma tentativa em meados de 2012, quando o ministro da Defesa, o cunhado de Assad e seu irmão Maher foram alvo de um suposto atentado terrorista. Há quem diga que eles, em coordenação com países do Ocidente, planejavam dar um golpe de Estado e derrubar Bashar. Mas líder sírio, como tradicional Michael Corleone, não iria deixar seu irmãozinho “Fredo” (Maher) dar um golpe.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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