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Netanyahu avançou mais do que Shimon Peres; Terceira Intifada será com pedras

gustavochacra

01 de fevereiro de 2010 | 13h28

Por muitos anos, no Oriente Médio, líderes falavam em paz e pouco avançavam. Verdade, no início dos anos 1990, Yitzhac Rabin e Yasser Arafat conseguiram estabelecer uma inédita confiança entre israelenses e palestinos. Os dois lados imaginavam um futuro em que os dois povos viveriam em paz em Israel e na Palestina.

Nesta época, e especialmente depois da morte de Rabin, as promessas ficaram nas palavras. Arafat nada fez para conter os atentados terroristas que mataram centenas de civis israelenses e transformaram, no imaginário internacional, a causa palestina em uma causa suicida. E mesmo premiês supostamente pacifistas, como Shimon Peres, construíram milhares de casas no território que seria destinado aos palestinos. Sem falar no bombardeio de Qana em 1997, durante a operação Vinhas da Ira, matando mais de cem civis em um abrigo da ONU no Líbano. Netanyahu jamais levou adiante uma operação militar desta dimensão.

Agora, Benjamin Netanyahu é criticado em todo o mundo. Condenar Israel se tornou o esporte favorito de europeus e mesmo de certa parcela dos americanos. O primeiro-ministro se tornou um inimigo da paz na visão deles. Ao mesmo tempo, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pode ser classificado como bem intencionado, mas poucos acreditam na sua autoridade.

Deixando a superfície, porém, Netanyahu e os palestinos mudaram. E para melhor. O líder israelense concordou em congelar a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Rabin, Peres e Barak não fizeram isso. Ariel Sharon deixou Gaza e quatro pequenas colônias na Cisjordânia, mas expandiu várias outras. Mesmo em Jerusalém, Netanyahu está distante de ser o mais radical líder israelense.

Este blogueiro uma série de vezes escreveu que Tzipi Livni seria melhor para Israel do que Netanyahu. Ainda acredito que, em termos de relações públicas, certamente a ex-chanceler teria vantagem, especialmente em um momento em que os EUA são governados por Obama e a secretária de Estado é Hillary Clinton. Mas, para a paz, talvez Netanyahu seja mais importante e forte para firmar um acordo. Sem falar no seu talento para administração da economia.

No campo palestino, a idéia dos atentados suicidas da Segunda Intifada foi substituída pelos métodos da Primeira Intifada. Se ocorrer um terceiro levante na Cisjordânia, como muitos suspeitam, será como nos anos 1980. Jovens atirando pedras em soldados (o que, aliás, já começou e com a ajuda de liberais israelenses). A desobediência civil deve crescer, em detrimento de ataques inócuos como explodir cafés em Jerusalém ou lançar foguetes caseiros em Ashkelon.

O comprometimento de Netanyahu e a valorização da Primeira Intifada em detrimento da segunda são dois fatores que podem contribuir para o avanço da paz.

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