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Nunca vi um muçulmano ou um árabe elogiar a Al Qaeda

gustavochacra

20 de fevereiro de 2010 | 23h53

Já estive em nove países árabes, sem falar na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e cidades árabes de Israel, além da Turquia (que não é árabe). Conversei com pessoas de todas as faixas etárias e condições econômicas. Também falei com muçulmanos e árabes no Brasil e nos EUA, onde vivo atualmente. Não sou destes jornalistas que apenas leem o que outros escrevem, sem ir para o campo trabalhar, escutar, entrevistar, observar. E, em todo este tempo, jamais vi alguém elogiar a Al Qaeda. Todos consideram a rede terrorista maléfica para os muçulmanos, apenas prejudicando a imagem do islã. O mesmo ocorre em editoriais de jornais na região. Todos condenam os seguidores de Bin Laden pela mortes de dezenas de milhares de muçulmanos no Iraque e no Afeganistão. A Al Qaeda é uma organização marginal, combatida por todos os governos de países islâmicos do mundo. Desde a queda do Taleban, ninguém apóia este grupo. Aliás, até mesmo no Líbano, e agora no Yemen, estes terroristas foram combatidos duramente.

Esta história de choque de civilizações é imbecil. O islã não está em guerra com o ocidente. Apenas um grupo marginal, que se denomina Al Qaeda, realiza operações tanto contra países ocidentais como contra países muçulmanos. A Guerra do Iraque não foi uma guerra do ocidente contra islamismo, já que Saddam Hussein liderava um regime secular – seu vice, Tariq Aziz, era cristão. O Taleban realmente seguia uma corrente radical do islamismo, que não representa de forma alguma o pensamento da maioria da população islâmica. E, para completar, o Taleban não atacou o ocidente antes, mas deu guarida a membros da Al Qaeda. Lembro que, no entanto, a maior parte dos responsáveis pelo 11 de Setembro moravam no dito ocidente.

Aliás, o que quer dizer ocidental? Dubai é ocidental? E o bairro cristão de Ashrafyeh, em Beirute? O que dizer da Turquia? Samuel Huntington, inclusive, não colocava o nosso Brasil entre os países da civilização ocidental – aliás, ironicamente, colocava a Espanha e a Argentina em grupos diferentes.

A Al Qaeda não representa o islamismo. Esta história não cola mais. Tampouco o Irã representa o islamismo. Trata-se de uma ditadura que não desfruta da simpatia de muitos clérigos locais. A Al Qaeda também não tem nada a ver com os palestinos. Em primeiro lugar, jamais atacou Israel, que, na lista da organização, é um inimigo de menor importância do os EUA, Arábia Saudita e Irã. Em segundo lugar, seus líderes não são palestinos. Para completar, até mesmo o Hamas andou combatendo a organização dentro da Faixa de Gaza.

Depois do 11 de Setembro, é verdade, o grupo contava com simpatia. Agora, não tem mais. Vale a pena ler a reportagem de capa da Newswek dizendo que Bin Laden perdeu a guerra e como ocorreu este declinio.

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