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Nos EUA, Turquia é política externa; Israel, interna

gustavochacra

13 Setembro 2011 | 00h03

no twitter @gugachacra

A Turquia tem importância para os Estados Unidos em política externa. Integra a OTAN, exerce influência sobre a Síria e o Iraque e possui fronteira com o Irã e uma série de ex-repúblicas soviéticas. Para completar, é uma das democracias emergentes, como o Brasil, Índia, África do Sul e México. Não pode ser descartada nos dias de hoje.

Israel tem importância na política interna americana. Não existe país que seja tão querido pelos americanos. As duas nações desfrutam dos mesmos valores e se consideram mais do que amigos. Os judeus são uma importante minoria, com milhões eleitores. Na última eleição presidencial, os dois vice-presidentes disseram amar Israel. Um em cada cinco membros do Congresso visitaram Jerusalém em agosto.

Neste momento, Israel e Turquia enfrentam uma crise diplomática, colocando os EUA em conflito entre seus interesses externos (Turquia) e internos (Israel). Tudo começou com o conflito em Gaza e se agravou com a recente publicação de um relatório sobre a flotilha. Basicamente, segundo a ONU, o bloqueio do território palestino é legal (posição igual à de Israel), mas algumas mortes foram causadas pelo uso excessivo da força, com disparos por trás e múltiplas vezes (posição favorável à da Turquia). Na avaliação do governo turco, Israel deveria pedir desculpas pelas mortes. Os israelenses se recusam. Em resposta, a Turquia expulsou o embaixador de Ancara e rompeu os contatos militares.

A administração de Barack Obama precisa balancear seus interesses externos com os internos, ainda que tenhamos eleição no ano que vem. Não será fácil. Uma saída é manter o discurso do diálogo e não adotar nenhum dos dois lados. São duas democracias adultas e quem não necessitam de ninguém dizendo o que precisam fazer. Mas o momento é o pior possível para Israel, com certos grupos egípcios se levantando contra os acordos de paz e os palestinos indo à ONU para pedir o reconhecimento do Estado. Sem falar no maior complicador, do outro lado da fronteira no Golã, onde uma guerra civil pode eclodir na Síria.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios