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Nós jornalistas estamos desesperados para dar breaking news e erramos feio, como a CNN

gustavochacra

29 de junho de 2012 | 11h55

no twitter @gugachacra

A CNN e a Fox News cometeram uma barriga antológica ontem ao anunciarem equivocadamente que a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado a lei para a reforma do sistema de saúde americano, principal bandeira da administração de Barack Obama.

Depois de dois minutos, a Fox News se corrigiu. Mas a CNN demorou ainda mais dez, noticiando uma ficção, um erro. E era algo fácil de acertar. Bastava esperar a Suprema Corte anunciar formalmente, escutar e contar. Não é o caso de uma dúvida sobre o que aconteceu na Flotilha de Gaza ou no Massacre de Houla, onde há diferentes versões e nenhum jornalista estava no local.

Isso ocorreu pela necessidade de dar o famoso breaking news. Mas tudo poderia ter sido corrigido caso esperassem cinco minutos mais antes de colocar no ar. Honestamente, os telespectadores podem aguardar das 10h07 até as 10h12 para ter a informação correta. Até duas décadas atrás, quem não estivesse escutando rádio, saberia apenas no telejornal da noite na NBC, CBS ou ABC ou no New York Times do dia seguinte. Mas teriam a informação completa e correta.

Pior, mesmo Obama por alguns minutos achou que houvesse sido derrotao porque estava vendo TV no salão oval. Certamente alguns investidores perderam dinheiro com o erro ao tomarem decisões de compra e venda de ações.E milhões de pessoas, por alguns minutos, precisaram repensar seus planos em relação a seguros de saúde.

Na semana passada, também ocorreram equívocos sobre a suposta morte de Hosni Mubarak no Egito. Eu mesmo, citando uma agência de notícias, coloquei no twitter. Depois, foram os anúncios contraditórios sobre quem teria vencido as eleições egípcias, dois dias antes dos resultados oficiais. Chegou ao ponto do Al Ahram em inglês dizer que foi o Ahmed Shafik e o em árabe o Mohamed Morsy.

Vamos esperar mais para saber exatamente o que aconteceu. Na Síria, a quantidade de desinformação e mentiras de todos os lados é enorme. Até secretárias de Estado cometem equívocos ao darem notícias. Mas, em Washington, era difícil de errar. E a CNN e a Fox News, duas das três maiores redes de notícias dos EUA (a outra é a MSNBC), erraram e feio.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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