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7 itens para entender se nossa identidade de país do futebol foi aniquilada

gustavochacra

09 de julho de 2014 | 14h34

A goleada de ontem ficará marcada para sempre. Será o maior trauma da nossa história esportiva. Mais até do que as derrotas para o Uruguai em 1950, Itália em 1982 e França em 1998. Sempre que falarmos da seleção brasileira com estrangeiros, lembrarão do massacre de 7 a 1 no Mineirão. Será um vexame eterno. Nossa identidade de “país do futebol”, para alguns, acabou. Mas também lembrarão de Pelé, de Sócrates, de Garrincha, de Romário, de Ronaldo e dos pentacampeonatos. Assim como, se um estrangeiro falar conosco sobre F1, certamente mencionará Senna, Piquet e Fittipaldi.

Devemos ter em conta as seguintes lições da aniquilação de ontem

1. Não somos a pior das grandes seleções do mundo neste momento. A Itália foi eliminada pela segunda vez seguida na primeira fase de uma Copa do Mundo. A Espanha e a Inglaterra tampouco se classificaram e os espanhóis foram trucidados pela Holanda

2. Não somos a melhor das grandes seleções do mundo. Obviamente, somos inferiores à Alemanha. A Argentina, a Holanda e a França também são superiores ao Brasil

3. Nossa geração é ruim. Mas isso já ocorreu no passado com todas as seleções. A Alemanha ficou fraca nos anos 1990 depois de conquistar o Tri. A Itália está fraca. A Espanha teve apenas uma grande geração. A Argentina também teve fases ruins (não se classificou para a segunda fase em 2002) e não passou das Eliminatórias em 1970. A Holanda não se classificou para a Copa de 1986. Em 1990 e 2010, o Brasil também teve times ruins, embora tenha sido eliminada justamente nos jogos em que a seleção atuou melhor

4. Não temos organização no nosso futebol. Mas a Argentina tampouco e está com um time melhor do que o nosso. Mesmo o tênis dos EUA, ultra organizado, tem apenas um  jogador no top 30. Nos anos 1980 e 90, eles dominavam o circuito da ATP. Hoje veem um suíço, um espanhol, um sérvio e um escocês vencendo Grand Slams. Organização é fundamental, mas não atua isoladamente

5. Não é crime ter técnico estrangeiro. Várias seleções do mundo já tiveram ou ainda tem. Eu contrataria o Joachim Low, atual técnico da Alemanha. Ou o Jürgen Klopp, do Borussia. O Jorge Sampaoli, do Chile, também seria uma ótima opção

6. O choque pela humilhação de ontem equivale ao Roger Federer perder de 6/0, 6/0 e 6/0 para o Nadal em Wimbledon nos olhos estrangeiros. De verdade, todos ficaram chateados com a humilhação do Brasil. Somos associados ao futebol e o massacre faz todos sentirem saudades de outras épocas

7. A CBF precisa de uma reforma urgente. É o maior problema do nosso futebol

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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