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Nova York superou o 11 de Setembro em uma década

gustavochacra

07 Setembro 2011 | 09h08

no twitter @gugachacra

Quando aconteceram os atentados de 11 de Setembro, Rudolph Giuliani ainda era prefeito de Nova York. Mas Michael Bloomberg seria eleito em seguida para comandar o renascimento da cidade sede da ONU e apelidada de capital do mundo. Ao longo desta década no poder, o atual governante precisou lidar com questões diplomáticas, desastres naturais e a maior crise econômica dos últimos 70 anos, sem que a metrópole perdesse o posto de mais importante do mundo para emergentes como São Paulo, Shangai ou Mumbai.

Nas nove Assembléias Gerais das Nações Unidas realizadas desde os atentados, Bloomberg recebeu dois presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush e Barack Obama. Também estiveram na cidade Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, que levantou suspeitas sobre os atentados de 11 de Setemnro, e Muamar Kadafi, que queria instalar a sua tenda no Central Park e discursou por uma hora e meia na ONU. Na ocasião, o ex-ditador líbio pediu para mudarem a sede da entidade de Nova York para Trípoli.

Nos últimos dez anos, Nova York chegou a viver o seu momento de maior riqueza, quando os bônus de bancos como Goldman Sachs, em 2006 e 2007, bateram recordes na história financeira mundial. Em 2008, alguns destes mesmos bancos, como o Bear Sterns e o Lehman Brothers, desapareceram devido ao colapso de Wall Street.

Também ocorreram desastres naturais na década pós 11 de Setembro, como a nevasca do último Natal, as ondas de calor de todos os meses de julho e, apenas nas últimas semanas, um terremoto e um furacão que alagou partes de Manhattan, derrubou árvores no Brooklyn e deixou grande parte do Queens sem energia elétrica.

Desde 2001, Nova York teve um aumento populacional de quase 400 mil pessoas. O Financial District, ao redor do World Trade Center, se transformou no bairro residencial que mais cresceu na cidade.  Foi inaugurado um prédio de apartamentos de 78 andares desenhado pelo arquiteto Frank Gehry. Diante da Brooklyn Bridge e da Prefeitura, este gigantesco edifício encobrirá a vista do célebre Wooworth Building. Construído há um século, o prédio de estilo neo-gótico já foi o mais alto do mundo até ser desbancado pelo Empire State, que fica em Midtown.

Mais de 400 milhões de turistas estiveram em Manhattan, o equivalente a duas vezes a população do Brasil. Ao todo, estes visitantes gastaram US$ 275 bilhões na cidade, cerca da metade do PIB do Argentina.

A média de uma diária em um hotel de Nova York subiu de US$ 204 para US$ 238 nos últimos dez anos. Cerca de 2.500 filmes foram gravados na cidade desde 2001. Oito milhões de pessoas usam diariamente o metrô. Outras centenas de milhares embarcam em um dos 13 mil táxis, que passaram a aceitar cartões de créditos. Cigarros foram proibidos até mesmo em parques e praias, que já organizam até mesmo etapa do mundial de surfe. “Empire State of Mind” passou a ser tocada no lugar de “New York, New York” em formaturas de escolas e universidades.

Nesta década, quatro estádios foram construídos em Nova York, a cidade onde o atual presidente cursou a faculdade. O Yankees venceu apenas uma World Series no basebol, em uma das piores décadas da sua história. Seu rival, o Mets, passou em branco. Mas, no New York City Ballet, surgiu Sarah Mearns, uma das melhores bailarinas das últimas décadas.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios