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Quem são as figuras do regime sírio que poderiam suceder Assad em uma transição?

gustavochacra

11 de junho de 2012 | 10h54

no twitter @gugachacra

Os Estados Unidos, que descartam corretamente uma intervenção militar, buscam quebrar a base de suporte de Bashar Assad, tentando demonstrar aos que o apóiam em Damasco a existência, na visão americana, de uma alternativa para o atual regime. Membros das minorias cristãs e alauítas, assim como empresários e generais da Síria, incluindo sunitas, temem um cenário caótico caso o líder sírio seja removido.

“Ainda há membros do alto escalão de suas Forças Armadas o apoiando. Ainda há importantes líderes empresariais o apoiando. Há muitos em cima do muro. Dentro desta perspectiva, precisamos criar uma via política como alternativa a Assad para convencê-los de que há uma saída”, disse a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland.

A declaração reforçava a defesa feita pela secretária de Estado, Hillary Clinton, de uma solução “iemenita” para resolver a crise síria. O objetivo é criar um cenário no qual os atores internos na Síria, e mesmo no exterior, comecem a visualizar a possibilidade de uma mudança no poder sem intervenção externa e guerra civil, como ocorreu no Iêmen quando Abdullah Saleh concordou em deixar o poder – o governo americano prefere não se aprofundar na enorme instabilidade por que passa o país da península Arábica.

Caso a solução iemenita seja adotada, Assad transferiria o poder para seu vice, conforme ocorreu com Saleh no Iêmen, que cedeu a presidência para seu número dois, Abd Rabuh Mansur al Hadi. O problema é que, na Síria, não existe apenas um vice-presidente, mas dois.

O mais conhecido deles é Farouk al Sharaa. Sunita e de viés moderado, ele foi chanceler por muitos anos e visto como uma figura mais amena do regime. Os EUA vêem nele um nome perfeito para assumir a transição.

Mas, nas últimas semanas, no mundo árabe, a grande pergunta é sobre onde anda Al Sharaa. O vice já andava desaparecido da cena política síria nos últimos meses, desde que a solução iemenita começou a ser cogitada. Agora, o mistério se intensificou com a sua ausência em discurso de Assad no Parlamento. No lugar, estava a segunda vice-presidente, Najah al Attar. Mulher e doutora em literatura árabe, ela sempre foi proeminente no Partido Baath. Ironicamente, seu irmão, Isam al Attar, é um dos líderes da Irmandade Muçulmana da Síria, que luta contra Assad, e vive no exílio.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios