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Segundo McCain, Rashid Khalidi,meu professor na Universidade Columbia, é o amigo radical do Obama

gustavochacra

31 de outubro de 2008 | 05h30

A candidato do Partido Republicano, John McCain, tem usado a relação de amizade entre Barack Obama e o acadêmico palestino-americano Rashid Khalidi para atacar o democrata, ao afirmar que o professor da Universidade Columbia é um neo-nazi e com ligações ao terrorismo.

Por essa linha de raciocínio, para McCain, este repórter também seria um radical. Cursei três matérias com Khalidi, quando fiz mestrado na Columbia – História da Palestina, História dos Movimentos Islâmicos e História do Oriente Médio. Escrevi três papers sob sua orientação direta. Recebi uma carta de recomendação dele. Já visitei o apartamento do professor e de sua mulher, Mona, com quem troco emails regularmente. Na minha formatura, ela fez questão de conhecer meus pais.

Mas os republicanos mentem ou não conhecem Khalidi, que é um dos maiores arabistas dos Estados Unidos. De uma das mais tradicionais famílias de Jerusalém, Khalidi nasceu e foi criado no Upper West Side, em Nova York, e tem amigos judeus desde a infância. Com PhD pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, lecionou na Universidade de Chicago até 2003, quando foi convidado para assumir a cadeira Edward Said de Estudos Árabes e a direção do Instituto de Oriente Médio da Columbia, que, entre as dez melhores universidades americanas, é a que tem o maior número de alunos e ex-alunos judeus.

Sua especialidade é a história palestina na transição do período otomano para o do mandato britânico, com grande foco na identidade dos palestinos. Crítico do presidente George W. Bush e da Guerra do Iraque, escreveu recentemente o livro “Resurrecting Empire”. Em outra das suas últimas obras, “The Iron Cage”, sobre a história palestina, aponta os erros e culpas dos palestinos no seu fracassado intento de conseguir um Estado – o livro é citado positivamente pelo ex-ministro das Relações Exteriores de Israel Shlomo Ben-Ami na edição de setembro/outubro da revista “Foreign Affairs”.

Nos anos 1970 e 1980, foi professor da Universidade Americana de Beirute, que fica em uma área da capital libanesa que era controlada pela OLP (Organização para a Libertação da Palestina), na época considerada terrorista pelos EUA. Com certeza, o professor mantinha laços pessoais com membros da organização. Mas sempre foi um acadêmico.

Em 2005, houve acusação de anti-semitismo contra outros professores da Columbia e Khalidi entrou na confusão sem ter culpa. Nunca, nas 80 aulas dele que assisti em dois anos, o professor teve qualquer atitude contra judeus ou defendeu o fim de Israel. Sim, o professor, de licença neste ano, é contra a ocupação dos territórios palestinos e defende – mas acha improvável – o direito de retorno de refugiados. Esses temas, porém, não eram presentes nas suas aulas.

Obama admite a amizade e, como se diz abertamente pró-Israel, afirma que os dois tem pontos de vista diferentes.

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