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O bate-boca do ministro Celso Amorim com a embaixadora Susan Rice na ONU

gustavochacra

26 de setembro de 2009 | 12h47

Depois de muita insistência, autorizaram os jornalistas brasileiros a observar a reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas que debateu a carta brasileira pedindo garantias de segurança à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, expôs seus pontos. No fim, antes de os embaixadores dos países membros do conselho se retirarem para deliberar sobre a questão, o chanceler se aproximou da embaixadora americana na ONU, Susan Rice, para cumprimentá-la. O problema é que, de repente, os dois se envolveram em uma discussão. A diplomata americana não achava o CS o lugar adequado para aquele tipo de representação e expressou a sua opinião para o ministro brasileiro.

Rice –
“Este não é o local adequado para este tipo de representação”

Amorim –
“Não vou fazer uma discussão teórica sobre isso. Se fosse a Embaixada dos Estados Unidos, você estaria muito irritada”

Rice –
“Ainda assim, não faria comentários”

Amorim – “Vá em frente, faça a sua declaração”

Os dois continuaram discutindo, mas era inaudível para os jornalistas, que estávamos em uma galeria. Amorim parecia um adolescente tomando bronca da coordenadora da escola.

Alguns minutos depois, o ministro passou por um corredor do Conselho de Segurança para responder a perguntas. Perguntei a ele sobre o que teria discutido com Rice. O ministro ignorou a pergunta e se dirigiu a outra pessoa.

Uma hora mais tarde, Rice fez a sua declaração, em nome do Conselho de Segurança. Em seguida, concordou em falar com os jornalistas. Também perguntei a ela o que havia ocorrido. Educada, respondeu – “Tivemos uma conversa privada que não estamos preparados para partilhar com vocês”.

À tarde, Amorim concedeu uma entrevista coletiva para jornalistas brasileiros na casa da embaixadora do Brasil em Nova York, Maria Luiza Viotti. A repórter Adriana Araújo, correspondente da TV Record em Nova York, perguntou mais uma vez ao ministro o que teria ocorrido, deixando claro que todos havíamos escutado a discussão. Preparado, o ministro disse que repetiria o que disse a embaixadora. “Foi uma conversa privada”, afirmou.

Aliás, vale mais uma curiosidade sobre o chanceler brasileiro. Na quinta-feira, fez os jornalistas do Estadão, da Folha, do O Globo, da TV Globo e da BBC Brasil o esperarem por horas em um hotel para uma entrevista coletiva. Mas o ministro não teve tempo, segundo disseram. O problema é que o chanceler brasileiro encontrou uma hora para ir até o estúdio da rede Record, passar maquiagem, e entrar ao vivo no jornal da emissora. Nada contra dar uma exclusiva e mérito da Record. Mas o chanceler deveria ter conversado com os outros jornalistas para responder importantes questões, em um momento que a embaixada do Brasil dá abrigo a um presidente deposto em um país em que Lula não reconhece o governo de fato.

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