O batismo no rio Jordão pode custar menos de US$ 10, com certificado incluído
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O batismo no rio Jordão pode custar menos de US$ 10, com certificado incluído

gustavochacra

25 de julho de 2009 | 11h42

Meus pais esqueceram de me batizar quando eu era pequeno. Nada ideológico, apesar de eles serem da geração dos baby bommer e terem vivido nos Estados Unidos nos anos 1970. Inclusive, meus dois irmãos mais velhos são batizados e católicos. Quando criança, dizia orgulhoso que era “pagão”, achando que isso dava um status diferente. Na classe, tinha colegas católicos, um ou dois judeus e eu como representante pagão.

Poderia ser cristão ortodoxo, como meu avô libanês Adib Chacra. Ou grego-católico, como a minha avó libanesa Lorete Salum Buassaly Chacra. E, claro, católico como meu avô italiano Mario Cerello, e minha avó brasileira Amélia Yoya Teixeira Neto Cerello. Mas não, eu era pagão. Pelo menos, até 2004. No verão daquele ano, me inscrevi em um curso rápido de verão sobre a formação do Knesset (Parlamento de Israel) na Universidade Hebraica de Jerusalém. Aproveitei e conheci diversas partes de Israel e dos territórios palestinos.

Um dia, na Galiléia, com a minha mãe, vimos uma placa na estrada – “Baptism Site”. Entramos para ver e nos deparamos com um galpão turístico, na beira do rio Jordão. Vendiam diversos souviners, como crucifixos, imagens de santos e outras coisas fáceis de encontrar em lugares como Roma ou Belém. Porém o produto mais disputado era o certificado de batismo. Custava cerca US$ 10 ou algo próximo. Para consegui-lo, além de pagar, era preciso colocar uma vestimenta branca e entrar no rio para tomar três caldos. Guias de turismo podiam fazer o serviço. Se quisesse, também era permitido pedir a um amigo ou parente. Alguns pastores e padres levam excursões apenas para batizar no rio. Dizem que o Gugu Liberato e o Padre Marcelo Rossi já passaram por lá.


Minha foto, enviada hoje pela minha mãe, pouco antes do batismo

Eu escolhi um guia que estava meio sem ter o que fazer ali. Era judeu, mas disse que acreditava em Cristo e tinha todas as condições de me batizar. Sei lá se era verdade e eu estava mais pela curiosidade. Tomei os três caldos, como os apóstolos de Jesus, me enxuguei, vesti minha roupa e, quando estava pronto, recebi um certificado de batismo no rio Jordão.

Não sei até hoje se sou católico, ortodoxo, ou qualquer outra denominação cristã. O certo é que, hoje, tenho um batismo mais bacana que o dos meus irmãos, que foram batizados às pressas na igrejinha da praia de Juquehy, no litoral norte paulista. Meu irmão mais velho ainda tem um pouco de judeu, porque nasceu em um hospital judaico de Dallas, enquanto eu sou da extinta maternidade Matarazzo, perto da avenida Paulista.

Quem quiser mais informações sobre o batismo no rio Jordão, pode entrar neste site

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