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O Brasil deveria gastar bilhões para bombardear o ISIS no Iraque e na Síria?

gustavochacra

16 de setembro de 2014 | 09h52

Você é a favor de intervenção dos EUA contra o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico, na Síria e no Iraque? Você ainda é das raras pessoas que achou correta a ação dos EUA para derrubar Saddam Hussein no Iraque? Certo, é fácil quando somos brasileiros e adotamos um discurso de falcão intervencionista em política externa americana. Afinal, quem gasta o dinheiro são os EUA, quem perde jovens em batalha são os EUA e quem fica com a imagem deteriorada ao redor do mundo são os EUA.

Como brasileiros, acho importante responder as seguintes perguntas, antes de cobrar dos americanos intervenções ao redor do mundo

1) Você é a favor que o Brasil inicie uma campanha de bombardeios contra o ISIS no Iraque e na Síria, gastando bilhões de dólates?

 2) Você acha certo o Brasil gastar US$ 500 milhões que poderiam ser investidos em educação no país para armar rebeldes na Síria, sem saber em muitos casos se eles realmente são confiáveis (alguns destes grupos moderados são aliados Frente Nusrah, braço da Al Qaeda na Síria)?

 3) Você acha certo o Brasil gastar bilhões de dólares para armar e treinar o Exército do Iraque, aliado do Irã (neste caso, suponha que o Irã seja o nosso maior inimigo)?

 4) Você acha que o Brasil deveria dar ajuda financeira bilionária para um regime repressor como o do Egito e para um país desenvolvido como Israel, onde a renda per capita supera a nossa?

 5) Você acha certo enviar brasileiros para lutar para derrubar um ditador no Oriente Médio e depois permanecer quase uma década no país gastando trilhões para tentar reconstruir esta nação?

 Sem dúvida, como analista, um brasileiro pode ser a favor de os EUA intervirem em outras nações. Há o argumento de que os EUA são uma potência militar e mais ricos. Seria o pensamento do “se eu fosse americano”. Mas os americanos possuem uma série de problemas domésticos e são eles (ou estrangeiros que moram aqui nos EUA também) que pagam financeiramente por estas ações. Detroit, uma das maiores cidades dos EUA, está quebrada. Você acha que um americano prefere reerguer Detroit ou reconstruir Aleppo? Tem de resolver o problema da saúde aqui ou no Afeganistão?

Acho até arrogante ver cidadãos de outros países em suas casas em São Paulo, Paris ou Sydney cobrar que os americanos resolvam os problemas mundiais enquanto jamais teriam coragem de ir lutar em uma guerra no meio do Iraque, do Afeganistão e, a partir de hoje, também contra o vírus Ebola na África. É simples quando quem paga os impostos são os americanos.

Obs. Não podemos esquecer dos nossos soldados e oficiais que estão nas forças de paz da ONU no Haiti e nos mares do Líbano.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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