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O Brasil é aliado, amigo, rival ou inimigo dos EUA?

gustavochacra

29 de junho de 2015 | 16h37

Os Estados Unidos, como todos os países, possuem aliados, amigos, rivais e inimigos. Já escrevi aqui sobre este tema no passado, mas volto hoje com a visita da presidente Dilma Rousseff a Nova York e Washington, onde se encontrará com Barack Obama. Há, claro, alguns casos em que um país pode ser duas das qualificações acima.

Aliados, por exemplo, são Israel, México, Japão, Reino Unido e Arábia Saudita. Mas, enquanto os israelenses, mexicanos, japoneses e britânicos são também amigos, os sauditas devem ser classificados apenas como aliados. Não há necessariamente amizade. O mesmo se aplica ao Paquistão.

Amigos, por outro lado, são nações que possuem boas relações com os EUA, sem necessariamente serem aliados. O Uruguai e a Noruega, entre vários outros, são exemplos de amigos.

Os rivais clássicos dos EUA são a China e a Rússia. Mas, em alguns casos, países aliados, como a França, podem ser rivais, como no caso da venda de caças e em zonas de influência na África e no Oriente Médio.

Os inimigos dos EUA podem tanto ser rivais como não. O Irã e a Coreia do Norte são inimigos americanos, mas não podem ser classificados como rivais. Os iranianos, talvez, em uma escala menor, na disputa por influência em Bagdá, embora ambos apoiem o mesmo lado.

E o Brasil? O Brasil é amigo dos EUA. Todas as pessoas sérias em Brasília e Washington sabem disso. Aliado? Em alguns temas globais, sem dúvida. Mas nada próximo da aliança americana com os britânicos. Rival? Em uma escala menor, na América Latina. E inimigo? Certamente não.

O importante, na visita de Dilma, não é, portanto, estreitar a amizade. Mas estreitar uma aliança entre os dois países, deixando de lado uma rivalidade inútil.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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