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O Brasil não condenará a prisão de opositores na Venezuela?

gustavochacra

20 de fevereiro de 2015 | 13h14

O regime da Venezuela deve ser duramente condenado por prender e agredir líderes da oposição, como o Leopoldo López e, agora, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. O Brasil, por ser a maior nação do continente e vizinho dos venezuelanos, precisa exercer um papel de liderança e exigir explicações de Nicolas Maduro sobre as prisões.

Estas ações do regime venezuelano demonstram desespero. Maduro não tem o carisma de Hugo Chávez. Tampouco possui o dinheiro do petróleo do seu antecessor diante do colapso do preço do barril. A criminalidade em Caracas e outras cidades venezuelanas disparou. A popularidade de seu regime despencou. Mesmo Cuba o abandonará aos poucos com a aproximação com os EUA. O Irã já o deixou de lado depois do fim do mandato de Mahmoud Ahmadinejad. Agora o líder venezuelano tenta pela força se manter no poder.

O argumento de que os opositores tentaram levar adiante um golpe não se sustenta para justificar a prisão. Se eles realmente tentaram, onde estão as provas? E onde está o processo jurídico? Não é como em 2002, quando de fato houve tentativa de golpe. Para ser democrática, uma nação precisa não apenas de eleições livres, mas de divisão de poder e imprensa plural. Isso não ocorre na Venezuela.

O regime chavista de Maduro não será eterno. Ele não é um Fidel Castro. Uma hora, Henrique Capriles, López ou Ledezma chegarão ao poder.  E eles se lembrarão de que lado o governo brasileiro ficou. Claro, se a Venezuela não degringolar para uma guerra civil. Não ache que estes conflitos sejam restritos apenas ao Oriente Médio. Podem ocorrer sim aqui no nosso vizinho.

Obs. Não domino o tema Venezuela e há muitos jornalistas e analistas mais qualificados para falar deste tema. Mas hoje eu não podia deixar de escrever sobre as prisões

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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