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O Brasil pode ter um candidato como Trump?

gustavochacra

15 Setembro 2015 | 13h31

No mundo todo, vem crescendo um sentimento anti-políticos tradicionais. Os eleitores parecem estar saturados de seus governantes. Vimos isso nas eleições na Grécia, na Espanha e na Itália. Observamos agora nas primárias republicanas das eleições presidenciais americanas. Poderemos ver nas próximas eleições francesas. E não sei se este fenômeno chegará às eleições majoritárias no Brasil. Mas pode ser.

O sentimento é de que os políticos buscam apenas seus interesses em seus anos no Congresso ou nas administrações locais, regionais e nacionais. Um médico, uma advogada, um barbeiro, uma empresária e um nutricionista simplesmente acham estas pessoas incapacitadas e incompetentes para comandar suas cidades, Estados e país.

Por este motivo, figuras externas acabam ganhando força. Donald Trump, apesar de seu discurso anti-imigrante beirando o racismo, ganha muitos pontos ao lembrar que ele não precisa do dinheiro de lobistas para sustentar as suas campanhas. Seus adversários, segundo o bilionário-celebridade, se tornam reféns de quem os financiaram e não terão liberdade para governar.

Ben Carson, único negro nas primárias republicanas, é o candidato mais próximo de Trump nas primárias. E, diferentemente de outros rivais, nunca foi senador ou governador. Na verdade, é um proeminente neurocirurgião infantil, conhecido por ter sido um dos pioneiros na cirurgia de separação de cérebro de gêmeos siameses – curiosamente, este gênio da medicina diz acreditar em Adão e Eva e é contra o casamento de pessoas de mesmo sexo, sendo um dos mais religiosos e conservadores da disputa.

Carly Fiorina, que também vem ganhando força nas primárias republicanas, é outra que nunca teve cargo político. Foi executiva no passado, embora seu histórico como CEO da HP seja controverso, pelo enorme número de demissões e péssimo resultado financeiro, que resultaram no seu afastamento.

Diante deste cenário, será que o Brasil também seguirá nesta mesma linha e, em breve, veremos executivos, bilionários ou profissionais liberais bem sucedidos tentando ser governadores e presidentes?

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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