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O Cazaquistão deve mudar o nome para tirar o “STÃO”? O que você acha de Cazaqueterra ou Cazaquelândia?

gustavochacra

10 de fevereiro de 2014 | 13h11

O líder do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, está disposto a mudar o nome de seu país. Na avaliação dele, terminar com “stão”, ou “stan, em inglês, traz uma associação negativa. O ideal, para ele, segundo reportagem na The Atlantic, seria “Terra dos Cazaques”, como a Inglaterra é “Terra dos Anglos” – seria algo como Cazaqueterra em português (Kazakhland, em inglês) ou Cazaquelândia.

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Sem dúvida, “Cazaquistão” é um nome difícil de vender internacionalmente. Primeiro, pela confusão com vizinhos, como o Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Azerbaijão, que se tornaram independentes depois do colapso da União Soviética.

Em segundo lugar, porque “stão” é a terminação de Afeganistão, outro país da região, que costuma ser associado a guerras desde pelo menos os anos 1980. O Paquistão, também terminado em “stão”, é visto como instável internacionalmente. E, para complicar, como lembra a Atlantic, tem ainda “o bantustão” na África do Sul do Apartheid.

Por último, há a questão de o Cazaquistão ter ganho fama internacional no filme Borat, que, de uma forma preconceituosa, usou o país para tirar sarro dos Estados Unidos, também de forma preconceituosa.

Uma alternativa seria alterar o nome internacionalmente. Afinal, Grécia, em grego, é Hellas, ou República Helênica – na minha visão, um nome tão bonito quanto Grécia. Egito, para os egípcios, é Misr. Mas convenhamos que, para turismo, eles estão corretos em usar “Egito”, associado às pirâmides.

O nome do país é importante para turismo e investimentos. Irã e Iraque foram muitos anos confundidos, antes de se tornarem focos das atenções internacionais. Outro dia uma eslovaca me disse que era da ex-Tchecoslováquia, para eu não confundi-la com uma eslovena. As repúblicas bálticas da Estônia, Letônia e Lituânia também sofrem para se diferenciar umas das outras. Uruguai e Paraguai, fora da América do Sul, soam iguais em terras distantes. Eu já tive de escutar que o país dos meus avós (Líbano) era governado por Kadafi, que é da Líbia. Isso sem falar em Guiana e Guiana Francesa, Guiné e Guiné-Bissau.

O México pensou recentemente em mudar seu nome para México. Afinal, o atual nome não é México, mas Estados Unidos Mexicanos. O Congo já se chamou Zaire e o Zimbabwe, Rodésia. E, mais recentemente, Birmânia virou Myanmar. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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