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O dilema dos jornalistas no Oriente Médio

gustavochacra

30 de outubro de 2008 | 19h43

Acabo de ler uma reportagem na Newsweek sobre o aumento da audiência dos programas de humor político durante as eleições americanas. A revista nota, porém, que os humoristas vivem um dilema. Se o Obama vencer, as piadas diminuirão, afinal o candidato democrata não é um bom personagem para ser alvo de piadas. Ao mesmo tempo, quase todos os comediantes apóiam o jovem senador. Dizem que é o melhor para os Estados Unidos.

Para um jornalista que cobre o Oriente Médio, o dilema é parecido. Torcemos para que um dia todos os países e povos da região vivam em paz. Mas, se não houver mais conflitos, o que será de nós? Imagine qual seria a audiência deste blog se ele se chamasse Diário da Escandinávia? Em vez do comentarista Sionista, teria o Viking? Será que ninguém daria mais bola para esta região do mundo?

Eu acho que não. O Oriente Médio, mesmo em paz, nunca será a Escandinávia em termos de ausência de notícias – sem desmerecer os belos e avançados países do norte europeu. As três grandes religiões do Ocidente nasceram onde hoje estão Israel e os países árabes. A economia mundial depende do petróleo produzido no golfo Pérsico. Israelenses e libaneses, mesmo em paz com os vizinhos, sempre terão as suas contradições internas. As populações na diáspora continuarão sedentas por notícias de sua terra materna.

As notícias do Oriente Médio apenas mudarão de tom. Jornalistas que gostam mais de política, como eu, sairiam perdendo. Mas os que se especializam em religião, economia e cultura, ainda teriam muito que escrever.

De qualquer forma, eu me sinto como os humoristas americanos. Prefiro perder a piada (ou notícia), mas quero ver o melhor para os povos que vivem nesses países. Mesmo sem ter que cobrir os conflitos, poderia vir para cá e escrever uma reportagem de turismo sobre uma viagem de Tel Aviv a Beirute, parando em Haifa, Acre, Tyro e Sidon.

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