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O drama dos palestinos na Síria

gustavochacra

19 de dezembro de 2012 | 13h50

Os refugiados palestinos na Síria se tornam aos poucos refugiados pela segunda vez. No campo de Yarmouk, o maior do país, localizado no subúrbio de Damasco, cerca de 150 mil palestinos vivem junto com 350 mil sírios. Por décadas, a região não enfrentava problemas. O regime de Assad, primeiro com o pai e depois com o filho, garantia a saúde e a educação de todos os habitantes que têm sua origem no que hoje são Israel e os territórios palestinos.

Agora, estes palestinos estão no centro da sangrenta guerra civil síria e não sabem como agir. Por um lado, há uma certa dívida com Assad pelos anos em que foram bem tratados se comparados aos refugiados residentes no Líbano, onde são praticamente alvo de uma política de Apartheid. Por outro, sabem que há uma chance cada vez maior de a oposição assumir o poder nos próximos meses ou anos.

Para completar, nesta semana, os palestinos foram alvos de bombardeios das forças de Assad, com a morte de 25 pessoas. O alvo das ações eram os rebeldes, que dizem ter assumido o controle de Yarmouk. Desesperados, os palestinos tentam fugir, mas não sabem para onde poderão ir.

Nesta guerra civil, os palestinos podem ter dois destinos e ambos são ruins. No primeiro, caso Bashar al Assad seja o vencedor do conflito, sofrerão com a traição do líder do Hamas, Khaled Meshal, que depois de anos sendo apoiado pelo regime até decidir se aliar à oposição. No segundo, se os opositores vencerem, podem sofrer represálias pelo apoio concedido por estes habitantes a Assad na maior parte da guerra civil.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios