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O Egito está em transição para um novo regime militar?

gustavochacra

15 de junho de 2012 | 12h12

no twitter @gugachacra

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A Suprema Corte do Egito foi toda apontada durante o regime de Hosni Mubarak e claramente representa os interesses das Forças Armadas do Egito. Sua decisão de dissolver o Parlamento indica um temor de que a Irmandade Muçulmana tenha muito controle sobre o futuro do país caso seu candidato a presidente, Mohamed Morsy, vença as eleições neste fim de semana.

Esta decisão certamente aumentará a instabilidade no Egito e é um revés para o processo democrático. Cada vez mais, os militares parecem estar dispostos a manter o poder nos moldes do antigo regime, com a diferença de não ter a figura de Hosni Mubarak, condenado à prisão.

Os militares sabem ainda que a população está dividida. Parte votou na Irmandade Muçulmana e em candidatos salafistas, que conseguiram a maioria do Parlamento. Outra parte, porém, teme justamente o fortalecimento destes islamitas e preferem uma mão mais dura dos militares que garanta a segurança e impeça o que, na visão deles, seria um Estado islâmico mais conservador.

Para completar, existe uma cansaço com a revolução e muitos egípcios não agüentam mais interrupções no cotidiano com os protestos. Esta insatisfação certamente será usada pelos militares.

Na avaliação de Hani Sabra, analista de risco político da Eurasia, mesmo depois da votação, existe o risco de golpe tanto caso o candidato dos militares, Ahmed Shafik, ou o da Irmandade vencer.

Na primeira alternativa, as Forças Armadas assumiriam o poder se protestos se intensificarem se a vitória de Shafik for vista como fraude. Na segunda, se Morsy tentar se impor se for o ganhador. De qualquer forma, o certo é que 17 meses depois da queda de Mubarak, o Egito ainda está distante da democracia e a transição pode ser agora para um novo regime militar.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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