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O Facebook vale 100 vezes mais do que o New York Times, que tem o mesmo valor do Instagram?

gustavochacra

16 Maio 2012 | 11h09

no twitter @gugachacra

A referência para a venda de ações do Facebook em seu IPO nesta sexta-feira está entre US$ 34 e US$ 38. Caso a mediana deste valor seja atingida, a rede social terá uma valorização de mercado similar ao McDonald’s, Citigroup, Amazon e Hewlett Packard. Será também cem vezes mais valiosa do que o New York Times.

Vocês acham que vale tudo isso? Primeiro, o Facebook atualmente ganha dinheiro com publicidade no site. Mas, segundo pesquisa publicada ontem pela NBC, 57% dos usuários nunca clicaram em anúncio. Outros 26% raramente o fizeram. Verdade, sobram 15%, o que equivale a 150 milhões de pessoas. É muita gente. Mas, eu, honestamente, nunca cliquei e não conheço quem o tenha feito. E vocês?

A General Motors comparte desta visão de que publicodade no site não dá retorno e decidiu suspender seus anúncios na rede social. Mais fácil, assim como muitas empresas, eles apenas usaram as páginas gratuitas do Facebook para aparecer.

Por último, metade dos quase 1 bilhão de usuários do Facebook entra na rede social pelo celular. E a própria empresa de Mark Zuckerberg admite ter enormes dificuldades para conseguir receitas em aparelhos móveis.

Ao mesmo tempo, o Facebook tem dados sobre nossas pessoas que nem imaginamos. E são estas informações que tornariam esta empresa tão valiosa. Isto é, eles não ganhariam tanto dinheiro com as propagandas no site. Mas teriam receitas através da venda do que sabe sobre a gente para as empresas anunciarem também em outras formas de mídia.

Além disso, o Facebook consegue saber sobre a gente mesmo quando não estamos na rede social. Ao comentarem neste blog, vocês leitores estarão imediatamente passando informações para a empresa de Zuckerberg. Eles saberão que vocês têm interesse em política internacional, especialmente temas relacionados ao Oriente Médio e Estados Unidos.

Diante destas informações, se eu fosse investidor, não compraria as ações do Facebook. Até acho que o valor no primeiro pregão pós-IPO chegue perto dos 50% e a valorização prossiga por meses. Mas simplesmente, hoje, não sei direito como esta empresa funciona. Não é um Citigroup, um McDonald’s, onde eu sei exatamente quais as suas qualidades e deficiências.

Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios