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O fim dos pilotos nos EUA – 4 em cada dez aviões são drones

gustavochacra

11 de janeiro de 2012 | 19h33

Eleições nos EUA 2012

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Em algumas décadas, talvez não tenhamos mais pilotos de caças, como os do filme Top Gun. Cerca de um em cada três aviões militares dos Estados Unidos atualmente  são aeronaves não-tripuladas, mais conhecidas como “drones”. O crescimento no uso destes aparelhos controlados por controle remoto e usados principalmente no Iraque, Iêmen, Paquistão e Afeganistão se acentuou nos últimos anos e alterou o conceito de operações aéreas das forças americanas.

De acordo com relatório do Serviço de Pesquisas do Congresso dos EUA, divulgado nesta semana, o percentual de drones nas forças americanas cresceu seis vezes desde 2005. Atualmente, são 7.494 aviões não-tripulados, contra 10.767 que exigem a presença de pilotos no comando. Isso representa mais de 40% do total – usando outros dados, o levantamento coloca o número em 31%.

Desde 2001, as forças militares americanas já gastaram US$ 26 bilhões com os drones. Apesar disso, as despesas com aviões tripulados ainda representam 92% do total de destinado para o setor no Exército e nas Forças Armadas.

Na avaliação do estudo do Congresso, existe uma série de vantagens no uso dos drones. “Eles eliminam os riscos para a vida dos pilotos e não sofrem restrições na duração de operações devido a limitações humanas. Além disso, podem ser envolvidos em ações mais arriscadas e seus custos são bem menores”, afirma o relatório.

Em memorando recente, o Pentágono afirmou que os aviões não-tripulados “são fundamentais na Guerra ao Terror pela precisão nos alvos, por detectarem minas e fazerem reconhecimento de armas químicas, biológicas e nuleares”. A segurança nestes vôos também aumentou. Sete anos atrás, eram 20 acidentes para cada 100 mil horas de vôo. Hoje o número é de 7,5. Recentemente, um deles, em uma possível missão de espionagem, foi capturado pelo Irã.

Existem drones com tamanhos variando de um “inseto” a “aparelhos comerciais”. Os mais comuns são os Ravens. Os Predators  e sua versão mais potente – os Reapers – possuem mais poder de fogo.

No ano passado, foram realizados 75 bombardeios com drones no Paquistão. Entre 470 e 655 pessoas morreram, incluindo mais de cem civis. Também foram intensificadas as ações contra militantes da Al Qaeda na Península Arábica, no território iemenita.

Além da função militar, os drones podem também passar a ter uso doméstico. No domingo, durante a feira do Consumer Eletronics Show, foram apresentados protótipos de helicópteros e aviões operados através de apps do iPhone e de celulares com o sistema operacional Android com grande autonomia de vôo. Nem precisa dizer que muitos terroristas poderão usar esta tecnologia.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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