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O importante na eleição de Israel é o ultra-nacionalista Naftali Bennett

gustavochacra

22 de janeiro de 2013 | 00h31

Não escrevi até agora nenhum post sobre as eleições israelenses. Pode parecer uma surpresa, afinal Israel sempre foi um dos temas que mais me interessam. Falha minha. Mas, sendo honesto, estas eleições não chamam tanta a atenção pois sabemos que o premiê Benjamin Netanyahu conseguirá se manter no cargo. Por outro lado, são importantes porque tem Naftali Bennett, como vocês verão neste post.

Bibi, como é conhecido o primeiro-ministro, demonstrou enorme habilidade política ao fazer a fusão com o Beiteinu, embora Avigdor Lieberman esteja enfraquecido e envolvido em escândalos. A principal rival de Netanyahu, Tzipi Livni, se enfraqueceu enormemente nos últimos quatro anos. Depois de romper com o Kadima, fundou seu partido, que ainda não emplacou. O Partido Trabalhista voltou a ser a principal força da esquerda ao se focar em questões domésticas, de justiça social, deixando de lado a paz com os palestinos. Deve ficar em segundo ou terceiro lugar.

O mais interessante desta eleição, como disse acima, é Naftali Bennett. Ultra-nacionalista, a favor da anexação da Cisjordânia em uma estratégia que remonta ao apartheid, ele está bem à direita de Netanyahu. Mais grave, tem força entre os jovens por sua história pessoal de sucesso nas Forças Armadas e na área de tecnologia. Chegou a trabalhar com Bibi, mas rompeu por ter más relações com a mulher do atual premiê. Seu partido, que se chamaria Jewish Home em inglês, pode ficar em segundo lugar.

Caso Netanyahu opte por uma união com Bennett, entrará em choque direto com os Estados Unidos, embora o ultra-nacionalista seja fluente em inglês. tenha vivido em Nov York e, obviamente, seja fanático por Seinfeld. Se optar por se aliar aos partidos da esquerda, Netanyahu terá um adversário feroz e inteligente na direita e Bennett tende a crescer. Ele pode ser radical e super conservador, mas não se trata de um bronco como Lieberman. Um dia tem chance de ser o primeiro premiê de Israel a usar kipá.

Alguns dados nesta eleição também chamam a atenção na guinada para a direita em Israel. Um terço dos prováveis membros do Knesset (Parlamento de Israel) deve ser ortodoxo. Apenas um vive em kibutz, por muitos anos um dos símbolos de Israel. E dois em cada três jovens entre 15 e 24 anos se descreve como direita. Israel de hoje é cada vez mais Bennett. 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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